Meirelles tem 'meu apoio', afirma Temer

Presidente reage à suposta 'fritura' do ministro dizendo também que não há nenhuma intenção de compartilhar o comando da política econômica

João Caminoto e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2016 | 05h00

O presidente Michel Temer disse ontem ao Estado que mantém sua “total confiança” no ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. “Ele tem o meu total apoio”, afirmou Temer. O presidente também disse que não há nenhuma intenção de se compartilhar o comando da política econômica.

Temer chegou a cogitar ontem, durante o dia, a divulgação de uma nota em apoio ao ministro da Fazenda, depois que, ao longo desta semana, o mercado começou a enxergar uma espécie de “fritura” de Meirelles com notícias sobre um suposto enfraquecimento do ministro.

Notícias de que o governo Temer estaria se reaproximando do economista Armínio Fraga, principal nome do PSDB na área e que chegou a ser sondado para ocupar a pasta antes de Meirelles, levaram o mercado a especular que o atual ministro da Fazenda estaria perdendo força em Brasília. O governo federal quer dar uma resposta rápida ao mercado para voltar a estimular a economia.

Em meio a esse cenário de recessão e especulações sobre Meirelles, Temer vai anunciar Dyogo Oliveira, que vinha exercendo o cargo de ministro interino no Planejamento, como efetivo no posto, conforme informou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, na última sexta-feira. A decisão, segundo interlocutores do presidente, acontece após notícias relacionadas a um suposto enfraquecimento de Meirelles.

A avaliação é de que Temer precisa mostrar respaldo à sua equipe econômica e evitar que ruídos atrapalhem ainda mais a retomada da economia. A data do anúncio de Dyogo como efetivo, entretanto, ainda não está confirmada.

Uma pessoa próxima ao presidente disse ao Broadcast que o momento não é de mais turbulência, por isso a “blindagem” ao ministro é fundamental. Na avaliação do Planalto, a dificuldade de conseguir retomar o crescimento não se deve apenas ao contexto interno – agravado pela crise política ainda persistente – e sim também pelas adversidades internacionais causadas pela eleição do presidente norte-americano Donald Trump.

Lenta recuperação. No entanto, os dados divulgados na semana passada, sobre queda da economia brasileira acendem o sinal de alerta em Brasília, uma vez que o recuo no PIB (Produto Interno Bruto)do terceiro trimestre deflagrou uma onda de revisões para baixo do crescimento em 2017.

Na quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o PIB recuou 0,8% no terceiro trimestre, contrariando as expectativas de parte do mercado que já esperava uma reação da economia.

No acumulado do ano até setembro, o PIB recuou 4% sobre igual período do ano passado. É a maior queda acumulada para o período desde o início da série histórica, em 1996. Diante desse cenário recessivo persistente, o mercado financeiro acredita que a volta do crescimento da economia será mais difícil, com avanço menor do que 1% do PIB no ano que vem.

A atividade industrial também segue em queda. Houve um recuo de 1,1% em outubro da produção na comparação com um mês antes, segundo o IBGE. O baixo desempenho é o maior para o mês desde outubro de 2013, quando caiu 1,5%. Em setembro, a atividade tinha esboçado uma reação, com alta de 0,5% sobre agosto.

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