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Meirelles tem o direito de ficar no BC, diz Delfim

Para ex-ministro, ?não há razão para imaginar que quem está num partido não pode ser presidente do BC?

Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

28 de agosto de 2009 | 00h00

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto defende a permanência de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central caso ele decida se filiar a um partido político até o dia 3 de outubro. "Não há nenhuma razão para imaginar que quem está num partido não pode ser presidente do BC", disse à Agência Estado. "Afinal de contas, estar filiado a um partido é (exercício) da cidadania. Lá, no Banco Central, ele está prestando um serviço profissional."Para Delfim, não é porque uma pessoa tem seu nome inscrito num partido que está automaticamente desqualificada para dirigir a autoridade monetária. Outros especialistas, como o ex-presidente do BC Affonso Celso Pastore, no entanto, avaliam que se Meirelles se filiar a uma sigla, perderá sua independência política. "Isso não procede", rebateu Delfim. Para ele, Meirelles "está absolutamente correto" em dizer que a sua eventual vinculação a uma agremiação não prejudicará seus trabalhados à frente do BC. Recentemente, Meirelles disse que não está cristalizada a decisão de deixar o cargo nos próximos meses e faz a alusão a uma espécie de contrato de opção, no qual pode ou não exercer a prerrogativa de concorrer a um cargo público no próximo ano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu há duas semanas, em Goiânia, o nome de Meirelles para disputar o governo estadual. Mas para participar de qualquer pleito como candidato em 2010, o presidente do BC precisa se filiar a um partido até 3 de outubro. Caso entre na disputa, ele deve deixar o cargo até o fim de março. Embora seja crítico às decisões dos diretores do BC na condução da política monetária, Delfim tem grande respeito pelo trabalho de Meirelles e acredita que sua permanência no posto, pelo menos até o término do primeiro trimestre do próximo ano, é importante para a economia do País. RECAÍDADelfim descarta a possibilidade de num novo ciclo retração econômica mundial. Segundo ele, a atividade internacional não deve desenhar um gráfico em forma de W, com dupla queda, como sugeriu o economista americano Nouriel Roubini, em recente artigo publicado no jornal Finantial Times. "O mundo vai ter recuperação que será continuada, pequena, mas será recuperação."Para Delfim, os países têm experimentado uma retomada paulatina do crescimento porque diversos governos e bancos centrais injetaram centenas de bilhões de dólares nas economias e no sistema financeiro. E supriram o mundo com liquidez suficiente para iniciar um processo de reativação da demanda e restabelecer a confiança dos investidores. Na avaliação dele, o fato de o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA ter recuado 1% no segundo trimestre em termos anualizados, quando muitos especialistas esperavam uma retração de 1,5%, é uma boa notícia. "Isso é uma indicação positiva de que não deve ocorrer o movimento em W", ressaltou. "Está na hora do (Nouriel) Roubini errar", comentou.

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