Meirelles volta a pedir reajuste com base em inflação futura

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou há pouco, em Berlim (Alemanha), que os formadores de preços precisam confiar que a política monetária aplicada pelo atual governo vai ter efeito e, portanto, devem reajustar seus preços com base na inflação futura. Meirelles disse que não adianta priorizar a discussão na redução da Selic, a taxa básica de juros da economia, atualmente em 26,5% ao ano. O presidente do BC afirma que a preocupação deve estar voltada para o processo de reajuste de preços do Brasil. Ele voltou a alertar que a inércia inflacionária começa a voltar ao País, retomando uma prática usada pelos formadores de preços durante muitos anos. "É importante, neste momento, que os agentes econômicos e financeiros, formadores de preços, tomem consciência desse fato e parem de reajustar os preços com base na inflação acumulada", o que conduz a inércia inflacionária.Portanto, disse Meirelles, esses formadores de preços devem reajustar seus preços na expectativa futura, "porque se fizerem com base na inflação passada, terão problemas de repasse de preço e não cumprirão suas metas de venda".Destaque para a inflação no varejo Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dos últimos 12 meses encerrou abril em 16,77%, a projeção para o período à frente é de 8,11%. Ele reitera que os preços administrados não devem superar reajustes de 14% conforme estimativa traçada sobre a meta de inflação de 8,5%.Meirelles, que está em Berlim (Alemanha), ressaltou que o IPCA é o índice usado pelo BC no monitoramento da inflação. "E o que interessa ao consumidor, porque o índice de preços por atacado, por exemplo, não afeta o consumidor diretamente."Ele acrescentou que "não adianta alguns setores colocarem sob a mesa exemplos de recuo de outros índices. Não podemos a cada momento ficar usando um índice diferente que seja de agrado das pessoas", disse, sem esclarecer a quem estava dirigindo a mensagem.Uso do IPA levaria a juros maioresO presidente do BC chamou a atenção para o fato que se "tivéssemos usado o Indíce de Preços no Atacado (IPA), acumulado até agora, teria levado no passado o BC a ter uma taxa de juros ainda maior, porque o acumulado tem sido muito maior do que no varejo". A exceção ocorreu no último mês, quando o IPA contribuiu com uma variação negativa de 1,11%. "Mas, isso na prática, não é relevante, porque o BC tem usado consistentemente o índice de preços ao consumidor, segundo a boa técnica de política monetária", reforçou.

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