Melhor para a Alca é o "acordo flexível", diz Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse hoje, em entrevista ao programa Bom Dia, Brasil, da TV Globo, que o "acordo flexível" negociado com os Estados Unidos para a instalação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) em 2005 é a única maneira de terminar as negociações dentro do prazo. "Os americanos costumam falar em uma Alca ambiciosa, abrangente. Nós também concordamos, desde que seja abrangente e equilibrada. Vamos ver o que vai ter em matéria de redução de subsídios agrícolas, eliminação de barreiras na área agrícola. Ela não pode ser ambiciosa por um lado e modesta por outro. É importante que seja equilibrada para que você possa continuar negociando", disse o ministro.Ele explicou que o acordo flexível consiste em definições como acesso a mercados e regras de transparência. Já os investimentos, subsídios agrícolas, compras governamentais e até a questão da propriedade intelectual seriam discutidos no âmbito da Organização Mundial do Comércio. "Os países que quiserem fazer um acordo muito mais amplo podem fazer . Nós temos um ano pela frente e temos negociações complexas na área de acesso aos mecados. Agora se você ainda por cima for buscar uma ambição muito grande e ao mesmo tempo desequilibrada as chances de você ter um acordo é pequena", disse. ?Negociação ainda está nos prolegômenos?O ministro Celso Amorim disse que tÊm sido boas as suas relações com o representante do comércio no governo dos Estados Unidos, Robert Zoellick, apesar de algumas divergências na questão da Alca. "Essas negociações todas passam por momentos desse tipo. A gente tem que estar preparado para isso. Tem que ser frio", disse o ministro. "A União Européia e os Estados Unidos vivem trocando acusações, até num caso que nós estamos envolvidos também, o do aço. Isso não impede de continuar conversando", disse o ministro. Ele ressaltou que a negociação com os Estados Unidos de uma Alca flexível é "um passo habilitador". "Há uma grande e complexa negociação para chegarmos onde queremos", disse Amorim. "Por exemplo, nós queremos uma eliminação total de tarifas. Mas o que nós temos ouvido é que em certos produtos agrícolas os Estados Unidos só estarão preparados a fazer oferta limitados a cotas. Cotas são importantes, ma s se forem grandes. Em troca disso o que a gente pode dar? São questões que ainda não enfrentamos concretamente", observou. "Apesar de estarmos a um ano de terminar a Alca, nós estamos ainda um pouco nos prolegômenos para uma negociação comercial concreta", afirmou. "O pré-acordo que eu tive com o Zoellick foi produtivo e é um passo habilitador como eu disse", acrescentou.

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