Melhora da economia inclui todos os setores

Pesquisa com 99 setores mostra que todos estão em situação melhor do que há um ano

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

Houve uma melhora generalizada no desempenho da economia no terceiro trimestre deste ano. Nenhum segmento da indústria, do comércio, dos serviços e do agronegócio, dos 99 avaliados pelo estudo da Serasa Experian, teve piora entre julho e agosto em relação ao mesmo período de 2009.

O resultado ganha relevância porque foi especialmente a partir de setembro do ano passado que o ritmo de atividade deslanchou, após o baque da crise.

O estudo, que reúne cerca de 700 indicadores de 99 segmentos e é uma espécie de radiografia do Produto Interno Bruto (PIB) do País, detectou que 76 segmentos melhoraram o seu desempenho no terceiro trimestre na comparação anual e 23 ficaram estáveis. No primeiro e no segundo trimestres deste ano, ainda havia segmentos piores na comparação anual, algo que não ocorreu no último trimestre.

"Esses resultados indicam que o PIB do terceiro trimestre será robusto na comparação anual, porque a maioria dos setores tem desempenho melhor em relação ao ano anterior", afirma Marcos Abreu, gerente de Análise Setorial da Serasa Experian.

Impulso. Ganhos da massa de rendimentos, aumento real do salário mínimo, redução do desemprego e alongamento dos prazos de pagamento impulsionaram o consumo e explicam o excelente resultado do comércio, que foi a estrela da economia no período, diz Abreu.

Todos os seis segmentos analisados do varejo melhoraram entre julho e setembro na comparação com o terceiro trimestre de 2009, aponta o estudo.

De janeiro a agosto, as vendas dos supermercados, por exemplo, cresceram 4,7% em relação ao ano anterior, descontada a inflação do período, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Sussumu Honda, presidente da entidade, projeta que o ano encerre com um acréscimo nominal de 7,3% e o faturamento atinja R$ 190 bilhões.

Só o Pão de Açúcar, um dos gigantes do setor, ampliou em 12,5% as vendas brutas no terceiro trimestre ante o mesmo período de 2009, levando em conta as mesmas lojas. "O desempenho foi muito positivo", diz o vice-presidente de Relações Corporativas do Grupo, Hugo Bethlem.

Outro destaque do varejo foi o desempenho das distribuidoras de combustíveis, que são um bom termômetro do ritmo de atividade. Dados do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) mostram que o volume de vendas cresceu 10,5% no terceiro trimestre deste ano comparado com os mesmos meses de 2009. A venda do diesel, que responde por 45% dos combustíveis, aumentou 12,8% no período. No caso da gasolina, a alta foi de 16,4%.

"O diesel, responsável pelo transporte de carga, tem forte correlação com o PIB", diz Alísio Vaz, vice-presidente do Sindicom. Ele lembra também que, com aumento do poder de compra, a população passou a adquirir carro e teve de abastecê-lo.

Carro-chefe. "O comércio é o carro-chefe da atividade" diz Abreu, da Serasa Experian. Isso significa que quando o varejo vai bem, ele puxa outros setores, como a indústria. Dos 55 segmentos da indústria avaliados pelo estudo da Serasa Experian, 45 tiveram desempenho melhor no terceiro trimestre na comparação anual e 10 ficaram estáveis.

Ao lado da indústria de alimentos e bebidas, das mineradoras, das cimenteiras e dos produtores de cosméticos, os fabricantes de caminhões e ônibus, por exemplo, fazem parte do grupo de segmentos que teve desempenho invejável.

"Não tem mais fila de espera para a compra de caminhões porque aumentamos um turno de produção na fábrica de Rezende (RJ)", conta Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, que produz caminhões da marca Volkswagen. Segundo o executivo, cresceram as vendas de todos os tipos de caminhões.

No segmento de ônibus urbanos e intermunicipais, a procura também cresceu, diz Cortes. "A procura por ônibus está em outro patamar. Com aumento do poder aquisitivo, há mais pessoas usando o ônibus para visitar a mãe", brinca o executivo.

Ele aponta um conjunto de fatores para o deslanche do setor: a isenção de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), os programas de Sustentação do Investimento (PSI) e de Mais Alimentos que têm juros reduzidos para compra de equipamentos, além do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Casa própria. No setor de serviços, 19 dos 25 segmentos registraram melhora no terceiro trimestre do ano e a construção civil é um dos destaques.

A construtora Trisul, por exemplo, voltada para moradias do segmento médio, aumentou em 8% as vendas e em 10% os lançamentos no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado.

"A taxa de crescimento foi maior no primeiro semestre, porque a base de comparação era mais fraca e resolvemos antecipar os lançamentos. Mas certamente vamos ter um ótimo ano", diz o diretor financeiro da construtora, Marco Mattar.

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