Melhora da economia influenciou resultado

A receita federal continua em forte expansão. Os dados de julho indicaram que ela evoluiu em termos reais, excluída a inflação do IPCA, 10,76% sobre julho de 2009 e 12,22% quando se compara os primeiros sete meses deste ano com os correspondentes do ano passado.

Análise: Amir Khair, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2010 | 00h00

A melhora dos principais indicadores macroeconômicos influenciou a arrecadação. Segundo o IBGE, comparando o período dez/2009 a jun/2010 com o correspondente de 12 meses atrás, ocorreram os seguintes crescimentos: produção industrial 16,5%, venda de bens 14,5% e massa salarial 11,3%, que são os fatores que influenciam respectivamente a arrecadação do IPI, do PIS/Cofins e da contribuição previdenciária. Além disso, devido ao crescimento econômico, a sonegação, a inadimplência e as desonerações ficaram menores.

O crescimento de 14,50% no volume geral de vendas foi puxado principalmente pelos setores: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (25,8%), móveis e eletrodomésticos (20,6%), material de construção (16,1%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (12,2%).

Contribuíram para o crescimento de 16,54% na produção industrial os setores: máquinas e equipamentos (41,89%), produtos de metal (35,84%), metalurgia básica (31,88%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (29,66%), material eletrônico e aparelhos e equipamentos de comunicações (22,41%).

Parece se firmar uma tendência de um crescimento na arrecadação federal ao longo do ano da ordem de 12% em relação a 2009, face a uma estimativa de crescimento econômico de 7%. Assim, provavelmente vamos ter um crescimento da carga tributária federal. Poderá atingir 23,6% do Produto Interno Bruto (PIB) contra 23,3% em 2009. Deve, no entanto, ficar pouco abaixo da registrada em 2008, que foi de 24,0%.

Mantida essa tendência na arrecadação, e como nos Estados, a principal receita, o ICMS vai bem, é possível que se possa atingir o tão almejado resultado primário de 3,3% do PIB.

Vamos aguardar.

É MESTRE EM FINANÇAS PÚBLICAS PELA FGV

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