Tim Sloan/AFP
Tim Sloan/AFP

Melhora da governança na América Latina é mais lenta que no resto do mundo, diz FMI

A adoção de práticas mais avançadas de governança pelas companhias e melhor gestão é um dos fatores que ajudam os países a melhor absorver choques, segundo a entidade

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2016 | 14h35

NOVA YORK - As empresas dos mercados emergentes melhoraram as práticas de governança e gestão corporativa nos últimos anos, mas a América Latina é onde ocorreu avanço mais lento, mostra um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado nesta quinta-feira. A adoção de práticas mais avançadas de governança pelas companhias e melhor gestão é um dos fatores que ajudam os países a melhor absorver choques, conclui o relatório.

Os economistas do FMI desenvolveram um índice para medir a governança das empresas em várias regiões. A descoberta foi que os países fora da Ásia e América Latina, que incluem mercados como Polônia, África do Sul, Rússia e Turquia, registraram os maiores avanços desde 2008. Na América Latina, em países como Brasil, México e Chile, e na Ásia a governança melhorou, mas em ritmo mais lento.

"Houve no geral melhora da governança entre os emergentes, mas há diferenças importantes entre os países", disse nesta quinta-feira o chefe da divisão de análise da Estabilidade Financeira Global do FMI, Gaston Gelos, em uma entrevista a jornalistas. Para ele, a melhora da governança e da proteção ao investidores nos emergentes ajudou a estimular a resistência do mercado financeiro. "A governança e a boa gestão ajudam a fortalecer a eficiência do mercado acionário, deixando os preços das ações menos sensíveis aos choques externos."

"Empresas com fraca governança experimentam os declínios mais acentuados nos preços de suas ações quando os mercados financeiros estão em turbulência", disse Gelos, citando que este movimento ocorreu, por exemplo, em meio ao aumento da volatilidade antes e depois da saída do Reino Unido da União Europeia e em 2013, quando houve turbulência no mercado quando o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) começou a sinalizar que iria retirar os estímulos monetários extraordinários no país.

O economista do FMI e um dos autores do relatório, Selim Elekdag, afirma que os emergentes que têm as empresas com melhor governança e mecanismos de proteção ao investidor também possuem balanços corporativos mais fortes. "Em particular, empresas bem gerenciadas tipicamente mostram menores níveis de dívida de curto prazo e probabilidade de default e são capazes de tomar recursos por períodos mais longos."

Apesar da melhora na gestão e da governança das empresas dos emergentes nas últimas duas décadas, o FMI recomenda que os países emergentes continuem a reformar o arcabouço legal e regulatório, tornando o ambiente favorável a novos avanços

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