Melhora das bolsas e fluxo provocam nova queda do dólar

O fluxo cambial positivo e a melhorade humor nas bolsas de valores motivaram queda do dólar nestaquinta-feira, que encerrou o dia na menor cotação de fechamentodesde outubro de 2000. A moeda norte-americana caiu 0,32 por cento e encerroucotada a 1,855 real. No mês, o dólar caiu em 10 das 14 sessõese já acumula baixa de 3,89 por cento. "(A queda do dólar foi) basicamente por fatores externos,como a recuperação das bolsas internacionais e do mercadoeuropeu. E o fluxo continua positivo", resumiu Gerson deNobrega, gerente da tesouraria do Banco Alfa de Investimento. Nos Estados Unidos, o mercado desviou o foco do setor decrédito imobiliário de risco e operou em alta desde a abertura,animado com resultados corporativos mais fortes que o esperadode empresas como a IBM. Na terça-feira, os temores de que os problemas nashipotecas norte-americanas atinjam com mais força o restante damaior economia do mundo justificaram a queda dos principaisíndices em Wall Street. O mercado europeu se comportou de forma semelhante nestasessão, com alta superior a 1 por cento em algumas bolsasdevido a lucros acima do previsto de algumas companhias depeso. Nobrega citou também a continuidade da entrada de dólaresno Brasil, com destaque para as operações na Bolsa de Valoresde São Paulo (Bovespa), que durante o dia superou a marcahistórica de 58 mil pontos. "O fluxo continua muito positivo, hoje teve leilão detítulos públicos... Fora isso tem alguns IPOs (Oferta PúblicaInicial, na sigla em inglês) que estão ocorrendo com liquidaçãona semana que vem", disse ele, listando algumas operações queatraem dólares para o país. A sessão teve pouca volatilidade, e o dólar se mantevesempre acima de 1,850 real. Para João Medeiros, diretor decâmbio da corretora Pioneer, o patamar pode ter oferecidosuporte à cotação da moeda norte-americana. "O quadro é relativamente tranquilo, e aqui dentro todos osfundamentos são muito bons. (O dólar) aponta só para baixo",observou Medeiros. Na última hora de negócios, o Banco Central realizou umleilão de compra de dólares no mercado à vista. Na operação, aautoridade monetária definiu corte a 1,8550 real e aceitou,segundo operadores, 15 propostas. Agentes de mercado descartaram repercussão sobre o dólar docorte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juro. Adecisão, anunciada na véspera pelo Comitê de Política Monetária(Copom), já era amplamente esperada pelos investidores.

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