Melhora lenta da intenção de consumo

Se fortalecido pela melhora de outros indicadores, assegurará ao comércio vendas melhores nos próximos meses

O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2018 | 03h00

Embora discreto, o aumento de 0,6% da intenção de consumo das famílias em agosto mostra que passou o temor de desabastecimento prolongado criado pela greve dos caminhoneiros no fim de maio, mas ainda é insuficiente para compensar as reduções observadas em junho e julho. É, de todo modo, sinal de que os brasileiros ficaram mais propensos ao consumo, sentimento que, se fortalecido pela melhora de outros indicadores, assegurará ao comércio vendas melhores nos próximos meses. Ademais, o índice aferido pela Intenção de Consumo das Famílias, divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), é 10,7% maior que o registrado um ano antes.

Dos sete itens que compõem o indicador da CNC, quatro cresceram de julho para agosto. O que apresentou o melhor desempenho foi o nível de consumo atual, que cresceu 3,4% de um mês para outro. A perspectiva de consumo aumentou 1,8%. Já o item que afere a percepção da renda atual apresentou pequeno aumento de 0,3% entre julho e agosto, numa indicação de que estão sendo superados os impactos da alta dos preços de produtos básicos decorrente da greve dos caminhoneiros em maio sobre o orçamento das famílias.

Esses números sugerem que “o susto das famílias com a greve dos caminhoneiros vai ficando para trás, na medida em que os choques de preços (observados logo após a paralisação) não se replicaram nas semanas seguintes”, na avaliação do economista da CNC Antonio Everton.

Apesar da melhora na percepção da renda, mais da metade das famílias (51,5%) declarou estar consumindo menos do que há um ano. Persistem, de fato, fatores que preocupam os consumidores em geral a respeito de sua capacidade de consumo futura. A situação do mercado de trabalho é fonte de preocupação para boa parte das famílias. Os componentes do índice da CNC que medem a percepção sobre o emprego atual e a perspectiva profissional diminuíram em relação a julho. “Isso indica o maior receio das famílias diante da incapacidade da economia de voltar a crescer e gerar postos de trabalho de forma mais consistente”, avaliou a CNC. A persistência de juros reais mensais altos e os temores quanto ao emprego reduzem as projeções sobre o consumo nos próximos meses. A CNC reduziu as projeções para o aumento das vendas do varejo em 2018 de 4,8% para 4,5%.

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