Melhora não bastou para tirar o varejo da estagnação

Os analistas ficaram surpresos, positivamente, com o crescimento de 0,9% das vendas no varejo entre outubro e novembro, constatado na última Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o quarto mês consecutivo de aumento, indicando uma recuperação, mas nem por isso se pode dizer que o comércio já saiu da estagnação. É o que se depreende da observação do economista Nilo Lopes, do IBGE, de que foi o pior mês de novembro para o varejo em 11 anos (em novembro de 2003 o volume vendido caiu 0,2%).

O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2015 | 02h03

O volume de vendas do varejo restrito cresceu 1% em relação a novembro de 2013, avançou 2,4% no acumulado deste ano e 2,6% em 12 meses, até novembro. No mês, o varejo ampliado (que acresce ao varejo restrito as vendas de veículos, peças e material de construção) cresceu 1,2%, mas caiu nas outras bases de comparação: 2,7%, em relação a novembro do ano atrasado; 1,6%, no acumulado de 2014; e 1,2%, nos últimos 12 meses, comparados aos 12 meses anteriores.

O destaque negativo foi a queda mensal de 0,8% no item hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. Também houve recuo de 1,5% em relação a novembro de 2013, mas um aumento de 1,6% nos últimos 12 meses.

No plano positivo, destacaram-se as vendas de móveis e eletrodomésticos (5,4% no mês); livros, jornais, revistas e papelaria (9,6%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4,9%); e tecidos, vestuário e calçados (3,4%). No varejo ampliado, cresceram as vendas de veículos, motos, partes e peças (5,5%).

Mas os indicadores do varejo não permitem supor que a recuperação persistiu em dezembro - o ritmo foi baixo no Natal, segundo a economista Solange Srour, da ARX Investimentos - nem que 2015 seja promissor. "Não sabemos o que vai acontecer em 2015, porque o início do ano traz muitos gastos para as famílias, como material escolar, IPTU, IPVA", disse Lopes, do IBGE.

A recomposição das rendas dos aposentados e o aumento do salário mínimo pesarão mais na manutenção das vendas do que na continuidade da recuperação. O anúncio de contenção fiscal e alguma alta de tributos tende a reforçar a propensão de consumo cuidadoso, em que as famílias dão preferência ao pagamento das contas do mês e evitam qualquer forma de endividamento, pois os juros estão em alta e a inadimplência é severamente punida.

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