Melhora sustentada ainda não é certeza na economia dos EUA

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Ben Bernanke, agradou os mercados nesta semana, mas ainda não os convenceu. Restam ainda substanciais incertezas se a escalada dos juros nos Estados Unidos será paralisada após uma nova alta em agosto, ainda mais se o petróleo der um novo salto, ultrapassando os US$ 80 por barril, como muitos prevêem. Por outro lado, crescem os temores de uma desaceleração exagerada da economia norte-americana no final deste ano. Por isso, após acumularem ganhos graúdos após a fala de Bernanke na quarta-feira, os mercados internacionais voltaram a operar com cautela, penalizados também por fracos resultados de empresas, afetando os ativos de países emergentes.Esse ambiente mais uma vez confirma a previsão - e o receio - da maioria dos analistas consultados pela Agência Estado nas últimas semanas. Embora exista nos mercados um ambiente mais positivo do que o visto há um ou dois meses, uma melhora sustentada deverá ocorrer somente quando ficar claro o comportamento da economia norte-americana. "E por enquanto ninguém está vendo essa luz no final do túnel", disse um estrategista de um banco norte-americano. Os analistas do HSBC observam que as preocupações dos mercados se moveram claramente das perspectivas inflacionárias para as de crescimento dos Estados Unidos. Segundo eles, o comportamento dos mercados acionários será fundamental para se monitorar essa tendência.Para John Davies e Sarah Lutgert, analistas do WestLB, os mercados exageraram na reação positiva à fala de Bernanke, principalmente em relação à perspectiva de corte dos juros norte-americanos em 2007. "Embora concordemos ser muito possível que o Fed acabe cortando os juros no segundo trimestre do próximo ano, não achamos que o depoimento conteve informações suficientes para tornar isso uma certeza", afirmaram. Segundo os analistas, o objetivo de Bernanke foi mais o de oferecer uma avaliação equilibrada para as perspectivas da política de juros. "Para cortar os juros em 2007, o Fed vai precisar ver um declínio significativo nos indicadores de atividade, o que não acontecer no futuro próximo", observaram Davies e Lutgert. "Por isso, o potencial para decepção com os Estados Unidos parece ser grande no curto prazo."

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