Melhoria na infraestrutura tem reflexos no PIB

Governo conta com sucesso da próxima rodada para garantir crescimento forte da economia em 2014

O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2013 | 02h14

O que está em jogo não é apenas entrar no avião na hora marcada, acabar com pistas esburacadas, ter mais trilhos ou cais nos portos. O que realmente tem norteado as ações do governo é o efeito dominó de benefícios da melhoria na logística de transporte sobre o crescimento de toda a economia.

Pelas estimativas de consultorias ouvidas pelo Estado, se as licitações de estradas, aeroportos, portos e ferrovias previstas para a próxima rodada de concessões forem bem-sucedidas antes das eleições do ano que vem, os investimentos já na primeira fase dos projetos podem elevar o PIB de 2014 para 3,5%. Esse resultado ficaria cerca de 1 ponto porcentual acima das atuais estimativas do mercado.

Segundo o mais recente relatório Focus, do Banco Central, a previsão para o PIB no ano que vem é de 2,22%, na média. Em relação a projeções mais conservadoras, de 1,7% para 2014, o PIB praticamente dobraria.

Nos cálculos da Tendência Consultoria Integrada, a realização de todas as concessões acrescentaria cerca de 1,5 ponto porcentual ao crescimento do PIB em 2014. Hoje, contabilizando apenas uma parte das concessões, a previsão da Tendências é que a expansão fique em 2,1%. "Poderia ir a 3,5% se todas as licitações ocorressem antes das eleições do ano que vem", diz Alessandra Ribeiro, economista da Tendências.

Os investimentos na ampliação e melhoria da infraestrutura se concentram nos primeiros anos. Pelas estimativas do próprio governo, só as concessões rodoviárias trariam investimento de R$ 26,3 bilhões nos primeiros cinco anos. O valor restante previsto, de R$ 25,3 bilhões, viria nos 25 anos seguintes.

Adotando uma postura conservadora, as projeções distribuem em partes iguais os valores previstos para esses cinco primeiros anos. "Como o volume de investimento está baixo no País, o efeito inicial sobre a economia seria muito forte", afirma Alessandra.

A LCA chegou a números similares. O cumprimento do pacote acrescentaria de 0,75 a 1 ponto porcentual ao resultado do PIB de 2014. Como eles trabalham com uma alta de 2,9% - uma das projeções mais otimistas do mercado atualmente -, a realização de todos os projetos elevaria o crescimento a um nível próximo aos mesmos 3,5%. "Investimentos em infraestrutura estão entre os mais benéficos", diz Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores.

Nos cálculos citados por Paulo Resende, coordenador do núcleo de infraestrutura e logística da Fundação Dom Cabral, a cada R$ 1 milhão investido em infraestrutura, o reflexo na economia pode chegar a R$ 200 mil. "A grande importância é criar um momento de investimentos privados na infraestrutura e a retomada da confiança. Hoje, existe uma crise de confiança entre a iniciativa privada e o governo."

Essa retomada da confiança na economia brasileira, porém, não vai depender apenas das concessões. Para analistas internacionais, o governo tem de definir mais claramente os rumos das políticas fiscais e monetárias. "O problema do Brasil é a falta de visibilidade das políticas macroeconômicas. Isso tira a previsão da política econômica", diz Juan Carlos Rodado, economista do banco Natixis e especialista em América Latina.

De toda forma, a melhoria do crescimento com o impacto no investimento é inegável e ocorre em qualquer parte do mundo. Um estudo do banco Natixis com as economias da França, Alemanha, Itália e Espanha revelou que um euro investido se multiplica por 14 no PIB. Para economias emergentes, o impacto pode ser maior, segundo Rodado. / A.S. E L.G.G.

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