Membro do BCE: é cedo para falar em fim da turbulência

O presidente do Banco da Itália e membro do Banco Central Europeu, Mario Draghi, afirmou hoje que a recente ampliação das pressões inflacionários, após as elevações acentuadas de preços de alimentos e energia, e o esfriamento econômico dos Estados Unidos representam as principais ameaças para as economias mundiais. Ele acrescentou ainda que é muito prematuro falar que as turbulências financeiras - com origem na crise hipotecária dos EUA que eclodiu em agosto de 2007 - terminaram. "A principal fonte de preocupação continua sendo o aumento da energia e de outras matérias-primas", declarou Draghi, que lidera o Fórum de Estabilidade Financeira, um painel global de reguladores que têm a tarefa de monitorar a crise financeira.O presidente do BC da Itália afirmou que o aumento dos preços da energia e de outras commodities está tendo um impacto recessivo nas economias avançadas e alimentando a inflação, conseqüentemente cerceando a postura de política monetária. Os preços recordes de petróleo e dos alimentos estão criando grandes dores de cabeça para os presidentes de Bancos Centrais em todo o mundo, com o risco de impulsionarem a inflação ao reduzirem as taxas de juros para estimular o crescimento econômico. Além disso, a recente alta dos preços está corroendo o poder de compra das famílias, afetando os gastos com consumo e a economia ampla.A taxa de inflação da zona do euro atingiu, em maio, o maior nível em 16 anos, com os preços do petróleo disparando, o que reforçou o consenso de que o Banco Central Europeu não reduzirá as taxas de juros na região. Os preços aos consumidores nos 15 países que compartilham o euro subiram 3,6%, ante o ano anterior, permanecendo acima da meta do BCE de 2% pelo nono mês consecutivo.Segundo Draghi, o Banco Central italiano vai pedir para que as instituições bancárias do país ampliem seu capital para níveis suficientes para enfrentar todos os seus riscos - particularmente, os riscos que são difíceis de se quantificar - no caso de uma crise financeira. Em seu pronunciamento anual, Draghi disse que o BC italiano defende a introdução de instrumentos que possam encorajar os bancos a acumularem excesso de capital quando as condições de mercado forem favoráveis, com o intuito de que eles possam evitar um colapso de seus ativos em momentos de crise.

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