Sergei Karpukhin|Reuters
Sergei Karpukhin|Reuters

Membros da Opep anunciam corte de 1,2 mi de barris de petróleo por dia

Decisão é motivada pela queda de mais de 20% no preço do barril de petróleo desde o início de outubro e preocupações com um excedente de produção em 2019

Nicholas Shores e Niviane Magalhães, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2018 | 15h51

A Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) e os seus aliados na cooperação sob o chamado Opep+ anunciaram ter decidido cortar a sua produção conjunta em 1,2 milhão de barris por dia (bpd) em relação aos níveis de outubro de 2018. 

Desse volume, caberá aos membros do cartel uma redução da ordem de 800 mil bpd, enquanto os produtores parceiros liderados pela Rússia serão responsáveis por diminuir seu suprimento ao mercado em 400 mil bpd.

A decisão é motivada pela queda de mais de 20% no preço do barril de petróleo desde o início de outubro e preocupações com um excedente de produção da commodity em 2019. Com a medida, os produtores buscam equilibrar o mercado.

Em contraste com o cenário observado para o petróleo em outubro, de forte valorização, quando o temor entre investidores era por problemas para atender a demanda pela commodity diante da expectativa por novas sanções americanas ao Irã, os preços recuaram acentuadamente ao longo das últimas semanas.

As barreiras de Washington a Teerã se revelaram menos duras do que o esperado, ao mesmo tempo em que emergiram crescentes preocupações com uma desaceleração global e projeções de um excedente na produção no próximo ano, o que elevou a expectativa pela posição da Opep.

Na última reunião, ocorrida em novembro, o cartel havia afirmado que cortaria o volume produzido em caso de excedente no mercado do óleo em 2019, mas em outubro elevou sua produção.

Irã está isento

O ministro de Energia e Indústria dos Emirados Árabes Unidos e presidente da 175ª Reunião da Conferência da Opep, Suhail Mohamed Al Mazrouei, reconheceu que alguns integrantes do cartel, como o Irã, serão isentos de promover cortes nacionalmente. 

No caso do país persa, pesaram para a concessão os efeitos das sanções dos Estados Unidos à sua indústria petrolífera.

Já o ministro de Energia da Rússia, Alexander Novak, anunciou que Moscou planeja cortar 2% de sua produção de petróleo, também na comparação com o nível de outubro. 

"Gostaria de agradecer à Arábia Saudita por assumir um corte maior do que a fatia de produção que lhe cabe", declarou.

Por sua vez, o ministro saudita, Khalid Al-Falih, informou que Riad produziu 10,7 milhões de bpd em outubro, 11,1 milhões de bpd em novembro e prevê produção de 10,7 milhões de bpd em dezembro. 

"Hoje, estamos alocando os números de janeiro e eles estarão na vizinhança de 10,2 milhões [de barris por dia], em parte motivado com nosso compromisso de começar 2019 com o pé direito", afirmou. 

A partir dessa declaração, apreende-se que o corte promovido pelos sauditas sob o acordo será de 500 mil de barris por dia.

Ainda assim, Al-Falih destacou que Arábia Saudita mostrou nos últimos seis meses que não sabe apenas "cortar" oferta, mas, também, "liberar" oferta no mercado quando considera necessário. 

 

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