Mendonça de Barros ataca fundo soberano

O ex-ministro das Comunicações Luis Carlos Mendonça de Barros afirmou que a criação do fundo soberano pelo governo é uma idéia inadequada na atualidade, pois seu desenho original pode gerar como efeito colateral a ampliação da dívida pública líquida - que está em 43,7% do Produto Interno Bruto (PIB) -, por causa da necessidade de esterilização dos dólares que ingressam no País. ?Talvez fosse mais relevante adotar medidas que permitissem o livre fluxo de recursos do Brasil para o exterior e do exterior para o Brasil, o que poderia conter movimentos de excessiva valorização do câmbio, especialmente motivada por questões conjunturais?, afirmou.Mendonça de Barros avaliou que o governo deveria eliminar a obrigatoriedade dos ingressos de receitas externas obtidas por empresas no exterior, pois as companhias não têm plena liberdade para realizar operações comerciais com esses recursos, como o pagamento de fornecedores estrangeiros. ?A companhia que exporta precisa trazer os dólares obtidos lá fora para o Brasil para depois realizar outras operações, como compra de equipamentos fabricados em outros países, o que aumenta seus custos financeiros. Imagine o quanto isso eleva as despesas para uma empresa como a Embraer, que importa muitos componentes no exterior?, comentou.O ex-ministro ressaltou que o fundo soberano também não serve como a melhor opção de funding para o BNDES, que precisaria de pelo menos R$ 30 bilhões para completar as estimativas orçamentárias ao redor de R$ 80 bilhões para 2008. ?O BNDES poderia captar diretamente recursos no exterior via emissões, o que já faz hoje?, comentou. ?Além disso, o problema fiscal que seria provocado por esse fundo seria ainda pior, pois a instituição repassa os créditos a empresas por juros bem menores do que os registrados pelo mercado?, comentou. O banco oficial concede financiamentos com base na Taxa de Juros de Longo Prazo, a TJLP, que está em 6,25% ao ano, marca inferior aos 11,25% registrados pela Selic. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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