Menem e Murphy defendem alianças bilaterais se Mercosul falhar

O projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de priorizar o Mercosul dependerá, e muito, de quem os argentinos escolherão para governar o país nas eleições que serão realizadas no próximo domingo, dia 27, com segundo turno em 18 de maio. Os dois candidatos preferidos dos empresários e do mercado, Carlos Menem, do Partido Justicialista, e Ricardo López Murphy, do Movimento Federal de Recriar a Argentina, têm um claro discurso de que é preciso melhorar o Mercosul, mas se este aperfeiçoamento não for possível, defendem abertamente uma aliança direta com Estados Unidos e outros mercados. Menem é tido pelas pesquisas de opinião como quase certo para chegar ao segundo turno, enquanto que López Murphy é o candidato considerado um fenômeno eleitoral, porque é o único que tem crescido: saiu do quinto lugar, há duas semanas, para o segundo, conforme pesquisa da Equis, do analista Artemio López.O chefe da equipe econômica de López Murphy, o engenheiro Manuel Solanet, explicou à Agência Estado que o eventual Governo Murphy "privilegiará o aperfeiçoamento do Mercosul para dar maior solidez ao bloco". Para isso, Solanet destacou que Murphy considera vital a coordenação de políticas cambiais e fiscais com o Brasil e demais sócios. Também quer encontrar uma alíquota média mais baixa para a Tarifa Externa Comum (TEC) e que o Mercosul "não exclua acordos com outros blocos, nem os acordos bilaterais". Solanet disse, no entanto, que se não for possível avançar com o Mercosul nestes aspectos citados, "nos sentaremos com o Brasil e demais sócios para ver se não é mais conveniente termos somente uma área de livre comércio". Redução do MercosulO programa de governo proposto pelo candidato à Presidência da Argentina López Murphy, à disposição em sua página web, fala diretamente, sem rodeios, em reduzir o Mercosul ao estágio de zona de livre comércio, justificando que esta seria a melhor forma de caminhar de forma mais flexível em direção ao que ele define como aliança estratégica (política, comercial e de segurança) com Estados Unidos e União Européia. Esta postura vai na contramão do caminho traçado pelo ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso e retomado pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defende o fortalecimento da União Aduaneira, ou seja, manter as tarifas externas comuns como uma espécie de proteção à região contra a negociação independente, por país, com potências como Estados Unidos e Europa.No mesmo sentido, encontra-se o ex-presidente Carlos Menem, que jura querer privilegiar o Mercosul, mas afirma com todas as letras que "uma zona de livre comércio entre Argentina e Estados Unidos pode ser uma saída de emergência se não for possível cumprir o calendário da Alca, em 2005". A declaração de Menem foi em resposta à pergunta da Agência Estado em recente encontro com alguns jornalistas estrangeiros. Menem chegou a dizer que, "se ao Brasil não interessa ter uma Alca em 2005, à Argentina interessa, sim". O economista-chefe da equipe de Menem, Pablo Rojo, confirma: "queremos manter boas relações com nossos sócios, mas não podemos viver um bloco fechado, temos que negociar com a Alca, União Européia, Ásia, todos os países..."

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