Menem insiste na dolarização da Argentina

A dolarização da economia argentina continua sendo o sonho do ex-presidente Carlos Menem (1989-99). ?El Turco?, como é conhecido popularmente, viajará em breve aos Estados Unidos para tentar conseguir apoio para a eliminação do peso como moeda nacional e a implantação das cinzento-esverdeadas cédulas americanas como a única forma de dinheiro dentro do território argentino.Menem participará da reunião anual da União Democrática Internacional, associação que reúne partidos conservadores e neo-liberais de todo o mundo, da qual é membro honorário. Durante o encontro, as lideranças políticas de 80 países terão um jantar com o presidente americano, George W. Bush.Menem, que era habitué de jogos de tênis com seu pai, o ex?presidente George Bush, espera conseguir uma foto com o atual presidente e alguns cruciais minutos de conversa exclusiva, para explicar-lhe que não desistiu de seu sonho de dolarizar a Argentina, segundo ele, ?a única saída para a crise do país?.Enquanto isso, seu ex?ministro da Economia Roque Fernández, junto com integrantes do ultraliberal Centro de Estudos Macroeconômicos (CEMA), além do ex?presidente do Banco Central Pedro Pou, se mobilizam para pregar a dolarização e uma maior aproximação comercial com os EUA.O grupo, que nos últimos meses esteve quieto, voltou a mexer-se, aproveitando o cenário de falta de perspectivas de saídas para esta crise. Nesta semana, durante um seminário na Universidade del Salvador que analisava a crise argentina, um dos integrantes do CEMA, Jorge Ávila, sustentou que ?não aproveitar esta oportunidade para realizar mudanças estruturais, seria um crime histórico. É evidente que este colapso termina na dolarização?.Menem tem grande capacidade de fazer barulho e de tornar-se na manchete dos jornais argentinos e do exterior. No entanto, por enquanto, ?El Turco? só pode causar algazarra, já que seu poder político se esvaiu constantemente desde que deixou o cargo, em dezembro de 1999.De janeiro de 2000, Menem passou de controlar 20 deputados de um total de 81 de seu partido, o Justicialista (Peronista), para somente dominar 10 deputados de um total de 121 peronistas. Nas pesquisas, ele amarga um lugar de destaque na lista negra dos políticos mais impopulares, com elevado rechaço eleitoral.Leia o especial

Agencia Estado,

16 de maio de 2002 | 18h53

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