Nilton Fukuda|Estadão
Nilton Fukuda|Estadão

Menor demanda da indústria, das empresas e do governo derruba serviços em 2015

O setor de serviços recuou 3,6% em 2015, o pior resultado em 4 anos; em dezembro, o indicador recuou 5% ante igual mês de 2014, no nono resultado negativo consecutivo

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

17 Fevereiro 2016 | 09h24

RIO - A menor demanda das indústrias por frete e a menor contratação de serviços profissionais, administrativos e complementares por parte de empresas e do governo ajudaram a derrubar o setor de Serviços em 2015, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os transportes terrestres recuaram 10,4% no ano, devido à menor demanda por transporte de matérias-primas e produtos. Já os serviços administrativos e complementares, que incluem limpeza e segurança, tiveram redução de 2,4%.

Os serviços tiveram em 2015 o pior desempenho da série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em 2012, informou o IBGE. O recuo foi de 3,6%. Apenas em dezembro, o indicador encolheu 5% ante igual mês de 2014, já descontados os efeitos da inflação. Foi o nono resultado negativo consecutivo. O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) incorpora os dados da pesquisa de serviço, e os números divulgados hoje apontam para um resultado fraco da economia em 2015. O PIB será divulgado dia 3 de março.

"O transporte já vem apresentando retração ao longo de vários meses. O transporte de carga tem como seu principal demandante o setor industrial. Na medida em que o setor industrial passa por esse desaquecimento, ele implica por demanda menor de serviço de transporte, tanto para matéria-prima quanto para a distribuição de sua produção", explicou o técnico da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Roberto Saldanha.

O segmento de serviços profissionais também foi impactado em 2015, reflexo da menor contratação por parte de empresas e do governo. Os serviços técnico-profissionais, por exemplo, tiveram retração de 9,7% no ano, a reboque do corte de gastos com grandes projetos, obras e investimentos.

"Grandes empresas que prestavam serviços para projetos de engenharia em diversas áreas, como telecomunicações, óleo e gás... Esse segmento foi muito afetado por uma retração mais acentuada na demanda por esses serviços auxiliares de engenharia", disse Saldanha.

Já os serviços administrativos e complementares, que incluem limpeza e segurança, tiveram redução de 2,4% no ano, mas aprofundaram a queda ao longo dos meses. Em dezembro de 2015 ante dezembro de 2014, o recuo chegou a 7,3%.

"As empresas estão cortando serviços e mantendo só no nível adequado para a sua operacionalidade. Uma empresa que mantinha cem funcionários de limpeza terceirizados, por exemplo, hoje tem 80 ou 70, o suficiente para manter sua operacionalidade", justificou o técnico do IBGE.

A retração só não foi maior no setor de serviços como um todo em 2015 porque a área mais pesada, que é a de serviços de informação e comunicação, ficou estável (0,0%). Houve redução na demanda das famílias por televisão por assinatura e substituição de serviços de telefonia por meios de comunicação digital, ressaltou Saldanha, mas o setor conseguiu evitar uma perda real no ano.

O aperto no orçamento dos trabalhadores também diminuiu a demanda pelo segmento de serviços prestados às famílias, que acumulou queda de 5,3% no ano. Mas a atividade já vinha apresentando taxas negativas desde junho de 2014, observou o IBGE.

"O setor de serviços é o último a sentir o impacto do desaquecimento (da atividade econômica). Ele primeiro atinge a indústria, o comércio. O setor de serviços é o último a absorver esse impacto, principalmente o setor informal. Certamente o informal deve estar crescendo, mas infelizmente não temos como medir na pesquisa", concluiu o pesquisador.

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