Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Menos da metade das áreas petrolíferas é vendida

Apenas 21 das 54 áreas leiloadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) foram arrematadas nos dois dias da quarta rodada de licitações de blocos para exploração de petróleo. Como de costume, a Petrobras foi a maior compradora, com nove lances vencedores e um investimento de R$ 21 milhões. A ANP arrecadou R$ 92,3 milhões e estima que as empresas terão de investir US$ 1 bilhão com os investimentos previstos no contrato de concessão.O encalhe das áreas foi debitado, principalmente, ao excessivo número de blocos já operados pelos investidores nos últimos três anos, sem descoberta significativa desde a abertura do mercado, em 1997. A última grande jazida encontrada no País foi a de Roncador, em 1996, pela Petrobras. Só das três primeiras rodadas são 67 blocos, que demandam investimentos de US$ 3 bilhões.Apesar disso, o diretor-geral da ANP, Sebastião do Rego Barros, considerou o resultado "muito bom". "Superou todas as expectativas, inclusive a minha. Se compararmos com o setor financeiro, neste momento de dificuldades, há de se parabenizar as petroleiras, que reforçaram sua confiança no País", disse.Cinco novas empresas selaram a estréia no mercado brasileiro de petróleo no leilão: a norte-americana Newfield, a australiana BHP Billinton, a canadense Dover, a portuguesa Partex e a brasileira Petrorecôncavo. Dentre elas, a mais agressiva foi a companhia portuguesa, presente em três blocos - um deles em parceria com a Petrobrás. A ANP pensa em mudanças para a quinta rodada, que deve ocorrer em julho do ano que vem. De acordo com o superintendente de licitações da agência, Ivan Simões Filho, a ANP começa agora a receber sugestões para o próximo leilão. Existe a possibilidade de ser adotado o modelo de células, blocos menores e modulares, existente no Golfo do México. Neste sistema, uma empresa pode comprar áreas adjacentes e montar um bloco com as dimensões que desejar. "Mas não há nada resolvido ainda", disse Simões Filho.Neste leilão, as áreas de menor risco e menos dependentes de tecnologia formam as mais disputadas. Todas as nove enquadradas na categoria C, voltadas para empresas de menor porte, foram vendidas. Dentre as áreas mais complexas (categoria A), apenas quatro entre as 18 ofertadas foram vendidas.A Petrobras, com reconhecida excelência tecnológica, preferiu evitar o risco e comprou apenas duas áreas da categoria A. "Nosso portfólio tem muitas áreas de risco. Temos de variar um pouco, diluir os riscos. A tônica de nossa participação aqui é conseguir áreas com sinergia de infra-estrutura e aumentar as reservas em regiões com produção declinante", disse o diretor-gerente de exploração e produção da companhia, Carlos Alberto de Oliveira.A anglo-holandesa Shell arrematou duas áreas - uma em Santos e outra, em parceria com a Petrobras, em Campos. A empresa aumentou para 14 o número de áreas com participação no mercado brasileiro para o qual já destinou US$ 250 milhões em investimentos, segundo o vice-presidente de exploração e produção, Michiel Kool. A BP e a TotalFina Elf, inscritas, não deram lances.O maior ágio, de 7.474%, foi pago pela norueguesa Maersk que comprou por R$ 15,1 milhões um bloco na Bacia de Santos, que também teve um lance alto oferecido pela Shell, de R$ 13,9 milhões. A empresa já testa uma descoberta na região, em um bloco em parceria com a Petrobras. Dentre as brasileiras privadas, a Queiroz Galvão Perfurações foi a que mais levou áreas: três, duas no Recôncavo Baiano e uma no Jequitinhonha. A Bacia do Recôncavo serviu como palco para a estréia das companhias nacionais Starfish e Petrorecôcavo em leilões da ANP - cada uma ficou com uma área na região.O índice de comprometimento com a indústria local foi o maior entre os leilões já realizados. As empresas vencedoras comprometeram-se a destinar, em média, 39% dos investimentos a fornecedores nacionais, cerca de US$ 390 milhões durante o período exploratório. "É um sinal do conhecimento e da confiança que o investidor tem nos fornecedores brasileiros", disse o diretor-geral da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Eduardo Rappel.

Agencia Estado,

20 de junho de 2002 | 18h51

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.