Menos empregos e mais empresas

No primeiro semestre, foi criado 1,020 milhão de empresas, quase 30 mil mais do que em igual período de 2015 e recorde desde 2010, segundo a consultoria Serasa Experian

O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2016 | 03h09

No primeiro semestre, foi criado 1,020 milhão de empresas, quase 30 mil mais do que em igual período de 2015 e recorde desde 2010, segundo a consultoria Serasa Experian. Os responsáveis pela pesquisa reconheceram, porém, que o indicador “foi determinado pelo chamado empreendedorismo de necessidade”, ou seja, muitas empresas só foram formadas por falta de opção de trabalhadores sujeitos às limitações do mercado de trabalho. Há relação direta entre desemprego e criação de empresas: em 12 meses, segundo o IBGE, 3,2 milhões de pessoas saíram do mercado.

A maior parte das novas empresas (816 mil, ou 80% do total) foi formada como MEI (microempreendedor individual). Entre os ramos de atividade que mais atraíram os novos empresários estão os serviços de alimentação, reparo e manutenção de prédios e instalações elétricas, comércio de confecções em geral, serviços de higiene e embelezamento pessoal, comércio varejista de gêneros alimentícios e propaganda e publicidade.

No total, 63% das novas companhias atuam em serviços e apenas 8,3% são indústrias, sendo 28,5% empresas de comércio. Mais da metade das novas empresas (51,1%) foi constituída na Região Sudeste e 27,3% (270 mil) apenas no Estado de São Paulo, seguindo-se Minas, com 10,1% (108 mil). As Regiões Nordeste e Sul aparecem a seguir, cada qual com quase 170 mil novas empresas.

A publicação Empresômetro MPE, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), aponta para um número total de 17,38 milhões de empresas ativas no País, das quais 15,16 milhões (91,6%) são micro e pequenas empresas (MPEs). Mais de 6 milhões são MEIs.

Apesar do aumento do número de novas empresas, piora a qualidade das companhias. Em geral, elas são abertas com recursos das indenizações recebidas por trabalhadores. Pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor mostrou que, embora o índice de empreendedorismo seja alto (40% dos brasileiros querem empreender), quase a metade das novas empresas surge por necessidade, não por oportunidade.

Segundo a Serasa, com “a destruição de vagas no mercado formal de trabalho, pessoas que perderam seu emprego estão abrindo novas empresas visando à geração de alguma renda, dadas as dificuldades econômicas atuais”. O regime fiscal favorável estimula a abertura de MEIs. Só o tempo mostrará sua relevância para a retomada econômica.

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