Menos vendas e menos emprego na construção

Nos últimos 12 meses, até fevereiro, os aluguéis aumentaram apenas 1,9% em São Paulo, segundo o sindicato da habitação (Secovi) - ou seja, muito abaixo da inflação, indicando oferta superior à demanda. Em janeiro, as vendas de imóveis novos na capital também foram fracas, com queda de 28% em relação a janeiro de 2014 (de 1.030 unidades para 737 unidades comercializadas). Os indicadores negativos da área imobiliária ficam ainda mais evidentes quando se observa o recuo do emprego formal na indústria da construção: em fevereiro, segundo o Ministério do Trabalho, foram eliminados 25,8 mil postos com carteira assinada e, em 12 meses, esse número chegou a 221,6 mil, queda de 6,81%, a maior entre os oito setores analisados.

O Estado de S.Paulo

21 de março de 2015 | 02h02

Janeiro é, usualmente, um mês fraco para a atividade imobiliária, argumentam os analistas do Secovi, mas a queda na comparação com igual mês do ano passado mostra que 2015 começou abaixo das expectativas. O valor global das vendas, de R$ 385 milhões, foi 26% inferior ao de janeiro de 2014 e 76% menor que o de dezembro.

O estoque de quase 27 mil unidades em São Paulo cresceu 43% em relação a janeiro de 2014, caindo apenas 1% em relação a dezembro - e continua muito elevado.

Com estoques expressivos, as empresas terão de vender primeiro os imóveis prontos, deixando em segundo plano os novos lançamentos. É a saída natural para evitar o custo financeiro representado pela manutenção de estoques numa fase de juros reais crescentes. Mas o comprador final deve levar em conta que as ofertas de venda estarão limitadas ao estoque, não se imaginando queda de preços nos novos lançamentos, dadas as limitações à oferta, como o Plano Diretor e as regras do zoneamento, em mudança.

Na região metropolitana de São Paulo (RMSP) a situação é um pouco diferente, pois o estoque é menor (14,7 mil unidades) e caiu um pouco mais entre dezembro e janeiro (3%). A velocidade de vendas também foi maior do que na capital, mas as quedas de vendas em relação a janeiro e a dezembro de 2014 foram muito elevadas: 51% e 74%, respectivamente. Foram comercializadas na RMSP apenas 592 unidades.

Em fevereiro, o emprego na construção caiu não só em São Paulo (-5,6%), mas no País. Em 12 meses, a queda superou 10% no Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Espírito Santo e Distrito Federal e foi próxima ou superior a 20% em Rondônia, Pernambuco e Mato Grosso do Sul.

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