Mercadante defende ampliação do superávit primário do País

Segundo presidente da CAE do Senado, superávit é importante para ajudar a controlar a inflação

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

13 de maio de 2008 | 13h14

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), defendeu um superávit primário maior para auxiliar o esforço da política monetária para controlar a inflação. "O superávit primário é importante para complementar o papel da política monetária neste contexto (de alta na inflação)", disse Mercadante. Veja mais:Entenda a crise dos alimentos Entenda os principais índices de inflação  Ele destacou que parte significativa do movimento recente de alta nos preços se deve a choques externos de alimentos e commodities, como minérios e petróleo. Ele explicou que em boa medida tal pressão de preços foi contida pela valorização cambial, processo que, para ele, não pode se aprofundar porque a conta corrente do balanço de pagamentos está no vermelho e em um ritmo preocupante. Diante disso, o senador avalia que é importante reforçar a política fiscal, o que contribuiria para evitar uma alta muito grande nos juros e que poderia reforçar a valorização cambial. Mercadante, no entanto, evitou, assim como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mencionar que nível neste momento seria adequado para o superávit primário, que nos últimos 12 meses ficou em 4,48% do PIB. "Compete ao ministro Guido Mantega estabelecer os parâmetros. A minha sugestão vai no sentido de aumentar o superávit primário e melhorar a qualidade do gasto público", afirmou Mercadante.  'Decisão virtuosa' Assim como o senador, Meirelles afirmou que um eventual aumento do superávit primário teria efeitos positivos sobre as captações feitas pelo Tesouro Nacional, sobre o mercado de juros, além de impactar os impulsos fiscais hoje existentes na economia. Ressaltando que se trata de um tema sobre o qual o BC opina, mas não participa do processo decisório, o presidente do BC disse que "sem dúvida, é uma discussão virtuosa", mas ele ponderou que nessa questão há um componente importante de demandas diversas do País por mais recursos públicos. Meirelles, que participou de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, reiterou que devido à estabilidade na economia, os movimentos de política monetáriatendem a ser de magnitudes menores, o que não impede a ocorrência de ciclos de alta e baixa nos juros. Ele voltou a dizer que a melhor contribuição do BC para a elevação dos investimentos públicos é garantir o controle da inflação em um horizonte de previsibilidade da economia.

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