Mercadante discutiu divergências sobre o câmbio com Lula

O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, confirmou hoje que se reuniu ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir sua posição divergente sobre a política cambial. No encontro, realizado no Palácio do Planalto, que contou com a presença do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, Lula pediu cautela entre os aliados. "O presidente ponderou que é preciso ter cuidado com a forma de fazer o debate para não apresentar como divergência com o ministro Palocci", disse Mercadante.Ele deixou claro que essa questão foi um dos assuntos discutidos na reunião, que contou também com a presença dos ministros José Dirceu (Casa Civil) e Luiz Dulci (Secretaria Geral), além do líder do governo na Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP).Mercadante tem manifestado posição contrária à queda do dólar, com o argumento de que causará problemas às exportações. O líder negou problemas com o ministro Palocci, tanto que ambos deixaram o Planalto num clima amistoso. Mercadante saiu empurrando a cadeira de rodas que Palocci está usando por conta da fratura na perna. "Isso é para mostrar que sou dirigido por você", brincou o ministro. "Não, isso é para mostrar minha solidariedade total a você", devolveu o líder.A questão do dólar vem sendo abordada pelo próprio Lula nas reuniões com aliados. Hoje, no almoço com a bancada do PT na Câmara, o presidente lembrou que os exportadores já pressionam, pois a moeda norte-americana teria caído demais nos primeiros quatros meses de governo, passando a ser um problema. "É um ótimo problema e isso me deixa feliz", disse o presidente, segundo relato de um deputado petista.Lula lembrou também que daqui a pouco, com a queda do dólar, os defensores do salário mínimo de U$ 100 estarão sem discurso. Hoje, Aloizio Mercadante voltou a manifestar sua preocupação com a taxa de câmbio, deixando claro, no entanto, que essa posição não significa confronto com o governo. O que, na sua opinião, está acontecendo com a senadora Heloísa Helena (PT-AL). "Não é aceitável uma política de confrontação com o governo. Isso rompe o pacto partidário", disse o líder.

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