Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Mercadante diz que ajuste fiscal é necessário para manter grau de investimento

Ministro acrescentou que o grau de investimento é necessário para atrair recursos externos para investir em infraestrutura; para ele, porém, é um indicador importante, mas não o único

Rafael Moraes Moura, Ricardo Della Coletta, Tânia Monteiro , Agência Estado

09 de março de 2015 | 12h30

Uma semana depois de se reunir com uma missão da agência Standard & Poor's no Palácio do Planalto, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, defendeu nesta segunda-feira, 9, a realização do ajuste fiscal para manter o grau de investimento no Brasil.Segundo o ministro, as agências de classificação de risco devem manter o rating brasileiro se o país fizer o ajuste fiscal, acrescentando que o grau de investimento é necessário para atrair recursos externos para investir em infraestrutura.

Mercadante disse, porém, que o grau de investimento é um "indicador importante, mas não é o único". "Em relação às agências de risco, eles estão fazendo o trabalho deles. No passado, em alguns países, em algumas circunstâncias, eles já cometeram erros, o mercado não acompanhou. Eu me lembro uma vez que rebaixou a dívida americana, por exemplo. É um indicador importante, mas não é o único", comentou Mercadante, em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.

"Agora, eu achei a conversa muito boa (com Standard & Poor's), muito transparente. A própria Moody's quando reviu a nota da Petrobras disse que em relação ao Brasil aquilo não teria necessariamente implicação, que a questão central do Brasil é a estabilidade da dívida pública, é o ajuste fiscal."

Câmbio. Segundo Mercadante, o Brasil possui uma taxa de câmbio atual "mais competitiva para a indústria", que alavanca as exportações industriais e agrícolas e diminui a pressão das importações. Hoje, a moeda bateu a cotação de R$ 3,10 pela manhã

"Mas nós precisamos atrair o investimento do setor produtivo, sobretudo em infraestrutura. Por isso que o grau de investimento é tão importante. E não é para depender da confiança do mercado apenas. Não é só para ter a confiança do mercado, é para não precisar da confiança do mercado. Se a gente faz a lição de casa e mantém as contas públicas organizadas, nós teremos essa confiança necessária para atrair investimentos", disse o ministro.

Reunião. Na semana passada, durante a reunião dos representantes da agência Standard & Poor's com Mercadante, a equipe quis saber sobre a situação da Petrobrás e as suas perspectivas para o futuro. Segundo a Agência Estado apurou, Mercadante explicou a eles que o problema da Petrobrás não é de produção de petróleo, que está batendo recordes, mas de aprovação do balanço da estatal, que assegurou já estar sendo equacionado. O ministro lembrou aos técnicos que a Petrobrás está trabalhando para resolver a questão do balanço com a nova diretoria que foi totalmente reformulada e agora é composta por pessoas de mercado. 

A agência também quis saber da determinação do governo com relação à realização do ajuste fiscal, o quanto o Planalto está comprometido com isso e quais são as condições para aprovar as medidas no Congresso. Mercadante disse aos técnicos que só 20% do ajuste depende do Parlamento. Os outros 80% dependem apenas do governo. Mesmo assim, o ministro assegurou aos representantes da S&P que o governo está empenhado em acertar as negociações com o Congresso para aprovar as medidas.

Os representantes da agência de classificação de risco Standard & Poor's quiseram saber também das perspectivas de crescimento econômico no País.

O ministro Mercadante falou das dificuldades enfrentadas por todo o mundo durante a crise que se espalhou pelo mundo, lembrando que, neste período, o governo adotou uma política de garantia de emprego e renda. Assegurou, no entanto, que o governo segue empenhado com o ajuste fiscal e a adoção de outras medidas, para retomar um ambiente melhor para investimentos no País. (Com informações da Reuters)

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