Mercadante diz que ajuste não será ortodoxo

Ministro da Casa Civil diz que o governo optou de não realizar ajuste fiscal severo e a prioridade é manter investimentos e empregos

Rafael Moraes Moura, Laís Alegretti , O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2014 | 21h17

BRASÍLIA - Em meio a críticas ao plano do governo de alterar a meta de superávit primário, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse ontem que a opção do Palácio do Planalto foi por não fazer um “ajuste ortodoxo” para proteger a indústria, o emprego e a renda.

“Essa foi nossa estratégia: proteger o mercado interno, onde conseguimos sustentar a produção”, disse o ministro. “O governo fez uma opção, abertamente debatida na campanha, de não fazer ajuste ortodoxo.”

Acompanhado do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, o ministro convocou a imprensa para mostrar boa vontade do governo federal no atendimento das demandas do setor industrial.

Questionado sobre novas medidas do governo, Mercadante evitou dar um prazo para o envio do projeto que unifica o PIS e a Cofins ao Congresso Nacional. “A hora que tiver pronto vocês vão saber, mas está muito avançado”, disse. No mês passado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o projeto poderia ser enviado ainda neste ano. 

A questão, segundo Mercadante, entrará na agenda de estudos do governo junto com a CNI. “A intenção é criar uma estrutura tributária mais racional”, disse, acrescentando que a Fazenda está bastante avançada neste assunto.

Grupos. Mercadante anunciou a formação de seis grupos de trabalho que estudarão os pontos prioritários da indústria e apresentarão em dezembro os resultados à presidente Dilma Rousseff. O ministro disse que haverá uma nova equipe do governo em breve, com foco na competitividade do Brasil.

Os seis grupos de trabalho estudarão temas de logística e infraestrutura, como rodovias, portos, energia e mobilidade urbana. Também serão discutidas questões relacionadas à desburocratização, comércio exterior e compras governamentais. 

A reunião, disse o ministro, serviu para a definição de pontos da agenda da indústria que são prioridade para o governo. O objetivo é apresentar até meados de dezembro resultados concretos dos grupos de trabalho para a presidente.

Competitividade. O presidente da CNI, Robson Andrade, acrescentou que a indústria defende a assinatura de acordos internacionais e reconheceu que este ano foi difícil para o setor. “Precisamos melhorar pontos da competitividade. Temos enfrentado concorrência muito competitiva”, disse. “Enfrentar essa concorrência internacional é quase uma guerra, porque, por mais que a gente faça, eles colocam câmbio artificial, fazem coisas que o Brasil não faz.”

Segundo Andrade, o Brasil precisa fazer acordos internacionais. “A gente precisa avançar com mais rapidez, abrir mercados para a economia brasileira”, afirmou. Ele disse ainda que não há previsão de a CNI revisar projeções para os indicadores deste ano.

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