Mercadante volta a criticar BC por manter juro elevado

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado voltou a criticar nesta segunda-feira, 26, a diretoria do Banco Central por manter os juros elevados, mesmo com a inflação dos últimos 11 meses posicionada abaixo da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). "Ou o Banco Central tem uma meta implícita e não respeita a decisão do CMN ou não se comunica bem, porque a ata não demonstra nenhum risco de pressão inflacionária para este e para o próximo ano", declarou Mercadante, em entrevista coletiva, após participar do Debate de Líderes - o Brasil do Crescimento, realizada pela Casa Brasil na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Segundo Mercadante, não será possível ao País atingir a meta de crescimento de 5% estabelecida pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) caso o câmbio e os juros não sejam "competitivos". "Os juros permanecem muito altos e há espaço para realização de arbitragem em renda fixa que acaba por pressionar uma forte valorização do real", argumentou. Ele informou que a CAE tomou a decisão de convocar toda a diretoria do BC para prestar esclarecimentos a cada três meses e o próximo encontro será dias após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). "Debater, aumentar a pressão e exigir a transparência do Banco Central é uma contribuição que os senadores podem dar para o aperfeiçoamento desse debate e levar o Banco Central a promover uma sintonia fina na redução dos juros", justificou. Por fim, Mercadante recusou a avaliação de que o CMN poderia ser ampliado, com integrantes da sociedade, como empresários e representantes dos trabalhadores, como forma de estabelecer novas metas de inflação, menos conservadoras. Na visão do senador, esse modelo já foi experimentado no formato de um "conselhão" e não deu certo. "Entendo que poderíamos ter uma ampliação dos integrantes do governo dentro do CMN. O formato atual é extremamente restrito e entendo que, por exemplo, o ministro do Desenvolvimento poderia participar desse conselho para mostrar preocupações como a produção interna, o consumo e a pauta de exportações", sugeriu.

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