Mercado à espera da definição das eleições

Antecipando a perspectiva de que uma provável vitória da oposição não será nenhuma desgraça para o mercado, o dólar recuou 2,81% ontem e fechou cotado a R$ 3,80, abaixo do intervalo que os especialistas consideravam o ponto de equilíbrio para este final de semana, entre R$ 3,85 e R$ 3,90. Mas justamente por causa do recuo forte, os operadores avaliam que os investidores podem realizar lucros nos primeiros negócios da manhã de hoje (aproveitar a desvalorização do ativo para comprá-lo na cotação baixa), gerando uma abertura em pequena alta. Na abertura dos negócios hoje, às 10h, o dólar comercial estava sendo vendido a R$ 3,815, em alta de 0,39% em relação ao fechamento de ontem. Veja aqui a cotação do dólar dos últimos negócios. Já no mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagavam taxas de 23,080%, frente a 23,000% ao ano negociados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo operava em alta de 0,96%.Por enquanto, no entanto, ninguém vê motivos para pressões importantes e alguns acreditam, inclusive, que o dólar pode recuar ainda mais no decorrer do dia. Principalmente se houver estrangeiros voltando para a bolsa de valores que acumula ganhos importantes nos últimos dias. Mas isso, até agora, tem sido raro.Os especialistas dizem que o comportamento do mercado na próxima semana depende, principalmente, dos primeiros pronunciamentos que serão feitos pelo presidente a ser eleito no domingo. Essas palavras serão determinantes, inclusive, para definir o comportamento dos investidores perante o próximo vencimento de dívida cambial pública, no dia 1º de novembro (cerca de US$ 2 bilhões). Nos últimos vencimentos, a rolagem tem sido difícil, cara para o governo e somente parcial, o que gerou altas adicionais no valor do dólar. E isso ocorreu justamente por causa das incertezas sobre o quadro sucessório e sobre a administração futura da dívida. Se essas dúvidas começarem a dissipar-se, no entanto, a rolagem da dívida pode ser facilitada, deixando de contribuir para o nervosismo do mercado.

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