Mercado acionário atento à equipe econômica

O mercado de ações passa a acompanhar a partir de hoje todos os passos do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. O comportamento dos investidores ficará atrelado principalmente à equipe econômica a ser anunciada pelo novo presidente da República. Seu primeiro desafio será reverter a expectativa negativa do mercado sobre um governo do Partido dos Trabalhadores (PT). Pode-se dizer que essa barreira já começou a cair. Na semana passada, a Bolsa de Valores de São Paulo negociou como há tempos não acontecia. Na quinta-feira, o volume financeiro esbarrou em R$ 1 bilhão. Operadores apontaram a volta dos fundos de pensão e dos investidores estrangeiros, que andaram tímidos durante toda a disputa eleitoral. As declarações de membros do PT têm sido bem interpretadas e serviram de calmante para muitos. O partido também apressou-se em divulgar um documento com propostas para o desenvolvimento do mercado de capitais, o que agradou. Os analistas ainda estão resistentes em se pronunciar sobre as expectativas para o governo de Lula, mas afirmam que os investidores estão dando o "benefício da dúvida" para o partido. Reativação é desafio para o governoReativar o mercado de capitais e torná-lo uma efetiva fonte de captação de recursos para as empresas, a fim de financiar o crescimento econômico, é um desafio para o novo governo. Os problemas são vários e já bem conhecidos: migração de liquidez para Nova York, aumento da tributação, concorrência com a renda fixa devido às elevadas taxas de juros etc. Apesar da recuperação dos últimos dias, este é o terceiro ano de queda consecutiva da Bovespa. Hoje, as empresas não se financiam com a emissão de ações. Muitas decidiram fechar o capital e abandonar definitivamente o mercado. Mas se a expectativa é de crescimento econômico, as companhias precisarão de dinheiro para investir - e a tradicional fonte do BNDES não tem como atender a todos. PT divulgou documento antes das eleiçõesAntes mesmo da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou o documento "O Mercado de Capitais como Instrumento do Desenvolvimento Econômico". As propostas têm cinco pontos principais: incentivo ao desenvolvimento dos fundos de pensão, uso do FGTS e do FAT na compra de ações, política tributária adequada, proteção ao investidor e política de juros mais baixos. O documento do PT sobre o fortalecimento da Bolsa é fruto de conversas com as entidades que elaboraram o Plano Diretor do Mercado de Capitais, divulgado em abril e liderado pela Associação Nacional dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec). Todos os candidatos à presidência foram convidados a discutir o estudo e enviar propostas. Em visita à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu a criar um grupo para debater o assunto. Dessa discussão saiu o documento com propostas para o fortalecimento do mercado - a maioria consta do Plano Diretor. Lula também se mostrou interessado na idéia do presidente da Bolsa paulista, Raymundo Magliano Filho, de popularização o mercado de ações. Magliano volta à cena com projeto do FGTSO presidente da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Raymundo Magliano Filho, deve voltar a atuar no cenário político, com um trabalho de convencimento dos parlamentares sobre a importância de um mercado de capitais desenvolvido. Ele teve um papel relevante na aprovação do projeto que isentou a Bovespa da cobrança da CPMF. Na época, Magliano fez viagens constantes a Brasília e visitou muitos parlamentares. Como deu certo, deve voltar à ativa. Dessa vez, seus esforços estarão concentrados no projeto de uso do FGTS para a compra de ações, que pode ser encaminhado ao Congresso ainda nesta semana. Pela proposta, o trabalhador terá direito de utilizar 1% dos recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) na compra de ações.

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