Mercado acionário deve melhorar

O fraco desempenho da bolsa este ano não desanima os especialistas, que continuam a apostar na valorização expressiva das ações nos próximos meses. O diretor de Pesquisa de Mercados Emergentes do banco de investimentos Goldman, Sachs, Paulo Leme, acredita que o movimento de alta da bolsa será sustentado por investidores brasileiros. Eles deverão aumentar as aplicações em ações, já que os juros devem continuar em queda. Ele estima que a taxa de juros referencial da economia, a Selic, que está atualmente em 16,5%, feche o ano em 16%, chegando a um porcentual entre 13,5% a 14% em dezembro de 2001. Leme, que apostava numa alta de 40% em dólar este ano, diz que o Índice Bovespa pode subir 30% em dólar nos próximos 12 meses. Além da queda dos juros, ele também aponta a expectativa de que a economia cresça entre 4,5% e 5% no próximo ano, o que melhora a lucratividade das empresas, como fator positivo para a bolsa. Com relação aos investidores estrangeiros, ele diz que deverão ter papel secundário nessa alta. O responsável pela Schroders Brasil, Beto Scretas, também entende que, como a trajetória dos juros ainda é de queda, o investidor brasileiro acabará migrando para os fundos de ações. Segundo ele, há uma correlação muito forte entre a queda das taxas reais e o aumento da exposição em bolsa. O apetite do investidor estrangeiro por papéis de empresas brasileiras também deve aumentar, diz Scretas. Ele entende que esse movimento pode começar a ocorrer quando as empresas norte-americanas começarem a anunciar resultados mais fracos, por conta da desaceleração da economia. Dessa maneira, sendo a taxa de crescimento dos lucros das empresas brasileiras maior do que a das norte-americanas nos próximos anos, o investimento em ações do País deve ser bastante rentável. O quadro positivo, porém, pode esbarrar na alta mais forte dos preços do petróleo. O diretor de Renda Variável do banco Lloyds TSB, Pedro Thomazoni, diz que o Ibovespa pode bater em 20 mil pontos este ano, significando uma valorização de 20,75% em relação ao fechamento de sexta-feira. Se uma agência de classificação de risco melhorar o rating (conceito) da dívida externa brasileira nas próximas semanas, o mercado pode ter um alento importante, diz Thomazoni. Além disso, os investidores também esperam que os índices de preços confirmem a desaceleração da inflação e que a alta do petróleo perca força. A aprovação da nova lei das S.As. também poderia impulsionar a bolsa, o que parece improvável.

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