Mercado acompanhará amanhã divulgação de pesquisa CNT-Sensus

Analistas estrangeiros vão acompanhar atentamente amanhã a pesquisa de opinião pública nacional da Sensus, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que inclui dados sobre a popularidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O banco de investimentos Merrill Lynch, por exemplo, disse em relatório divulgado no último dia 3 que vai monitorar a CNT-Sensus. Os analistas Felipe Illanes e David Beker traçaram, no relatório do banco, uma relação entre a popularidade de Lula e o ritmo das reformas da Previdência e tributária. Eles lembram que um elemento importante que tem contribuído para o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso tem sido sua popularidade elevada. Segundo a CNT-Sensus, a aprovação pessoal do presidente Lula estava em 83,6% no início do governo, em janeiro, recuou para 78,9% em fevereiro e para 73,9% em março, mas voltou a subir para o patamar de 78% em maio. O Merrill Lynch destacou que, contrariando o padrão histórico dos novos governos, Lula está completando seis meses praticamente sem declínio na popularidade. O fundo britânico Ashmore Investment Management, conforme informou o correspondente da Agência Estado em Londres, João Caminoto, comentou recentemente que a popularidade do presidente Lula começou a declinar, "mas a novidade é que ela tem se mantido tão alta por muito tempo". Para os analistas do Merrill Lynch, o governo brasileiro foi capaz de adiar a queda na popularidade, mas um declínio deverá começar a aparecer nas próximas pesquisas de opinião. "É importante notar que o governo está ciente disso e, como o Brasil vai enfrentar eleições municipais em outubro de 2004 (que praticamente paralisam os trabalhos no Congresso), está totalmente comprometido em tentar concluir as duas reformas este ano", afirmam. Popularidade e negociação Os analistas ressaltam que o governo Lula conseguiu usar sua popularidade, assim como as promessas de uma futura participação no governo, para aumentar sua base de apoio político no Congresso. Mauro Schneider, estrategista para a América Latina do Banco ING em São Paulo, diz, por que é importante monitorar as pesquisas de opinião, mas ressalva que nem sempre é possível traçar uma relação direta entre popularidade e capacidade de avançar com reformas. Ele lembra que o presidente Fernando Henrique Cardoso tinha popularidade alta na primeira fase de seu primeiro mandato e poderia ter conseguido fazer mais em termos de reformas, mas, segundo o analista, faltava massa crítica para que se pudesse avançar. Entre outros elementos que podem favorecer o avanço nas reformas, ele lista a capacidade de negociação do governo "para que se entreguem os anéis e não o dedo". Schneider acredita que o governo Lula está bem posicionado para aprovar ou avançar muito com as reformas tributária e da Previdência até o fim deste ano.

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