Beto Nociti/Banco Central
Beto Nociti/Banco Central

Mercado aposta em alta de 1 ponto na Selic em reunião do Copom desta quarta

Das 51 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, 44 preveem que a taxa básica de juros vai passar de 5,25% para 6,25% ao ano

Guilherme Bianchini e Cícero Cotrim, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2021 | 08h30

Analistas do mercado financeiro apostam em alta de 1 ponto porcentual na Selic, a taxa básica de juros, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que termina nesta quarta-feira, 22. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, arrefeceu as expectativas de um aperto maior na Selic ao afirmar, na semana passada, que a autoridade monetária não vai alterar seu “plano de voo” a cada número de alta frequência da inflação. Até então, o mercado projetava alta dos juros entre 1,25 e 1,50 ponto. Agora, das 51 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast 44 preveem que a Selic vai passar de 5,25% para 6,25% ao ano.

Desde o último encontro do Copom, no início de agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pressionado de agosto e a criação da bandeira tarifária “escassez hídrica” para as contas de luz causaram uma nova rodada de deterioração nas projeções de inflação. Segundo o relatório Focus, a estimativa para este ano já está em 8,35% e em para 4,10% em 2022, quando o teto da meta perseguida pelo BC para 2021 é de 5,25%. 

O economista da Sicredi Asset Filipe Stona manteve a projeção de aumento de 1 ponto da Selic em setembro após o IPCA de agosto. O analista prevê Selic de 8,50%, em fevereiro de 2022, que considera ser suficiente para fazer com que o IPCA convirja dos 8,40% esperados para 2021 para 3,50% no ano que vem.

Para Stona, o BC deve manter seu cenário, mas deve endurecer o discurso para evitar a desancoragem das expectativas. "O que Campos Neto quis dizer, e a gente concorda, é que o BC não pode ter um cenário tão frágil que um dado de inflação descolado da mediana faça com que ele mude de avaliação", afirma.

O economista-chefe da Trafalgar Investimentos, Guilherme Loureiro, também avalia uma alta de 1 ponto como adequada. A estimativa é de aumentos na mesma magnitude em outubro e em dezembro, com Selic terminal de 8,50% em fevereiro de 2022.

“O BC vê inflação perto de 3,50% em 2022 com esse ritmo, e nossa conclusão é parecida. Essa trajetória da Selic parece razoável para o IPCA convergir à meta no ano que vem, e conversa com um crescimento do PIB na casa de 1,50%”, diz o economista, que prevê IPCA a 8,00% em 2021 e a 3,70% em 2022.

Loureiro, porém, acrescenta que um racionamento de energia, para o qual calcula probabilidade entre 20% e 30%, e as incertezas em torno do teto de gastos são riscos. “O mercado acaba sendo contaminado por esses fatores. Mas o ponto principal é o BC dar cada vez menos peso ao plano de voo e destacar que vai subir a Selic até a expectativa estar na meta”, analisa.

Contraponto

O economista da Constância Investimentos Alexandre Lohmann manteve a projeção de aumento de 1,25 ponto porcentual da Selic em setembro. Para ele, a declaração de Campos Neto causou uma correção excessiva das apostas do mercado.

"Ele mencionou que o BC não vai reagir a um dado de inflação mais alta, mas estamos falando de números sistematicamente acima do esperado e de uma deterioração relevante das expectativas", diz o economista. "Tudo isso defende um ajuste de 1,25 ponto."

No seu cenário base, Lohmann espera elevação da Selic a 9,50% na primeira reunião do Copom de 2022. Com juros nesse nível, o economista prevê IPCA de 4,88% no ano que vem, apenas 0,12 ponto porcentual abaixo do teto da meta.

"Tem uma chance relevante de encerrar 2022 com inflação acima do teto: tem uma crise hídrica que se agrava, a chance de ocorrência do fenômeno La Niña, um aumento da cotação do petróleo", afirma Lohmann. O economista diz ainda que a incerteza política e eleitoral pode causar volatilidade cambial no ano que vem.

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