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Mercado aposta em alta dos juros

A despeito da visível melhora em algumas variáveis nestas últimas semanas - sobretudo no risco país, câmbio e preço do petróleo - as apostas majoritárias do mercado são de que o Banco Central decidirá por uma nova elevação na taxa dos juros básicos na próxima reunião do Copom, dias 19 e 20 deste mês. E que o principal alvo da decisão estará nas expectativas do mercado sobre o comportamento futuro dos preços, esta sim uma variável que piorou bastante nas últimas semanas.Explica-se: uma elevação neste momento não teria tanta eficácia através dos canais de transmissão da política monetária sobre os preços, dada a natureza da "bolha" inflacionária atual, sem influência de demanda. Mas essa forte deterioração das expectativas detectada no boletim Focus, com as projeções do IPCA deste ano se aproximando de alarmantes 9%, tem de ser limitada em algum momento."Discordo das avaliações que falam da manutenção dos juros por causa da natureza desta pressão inflacionária. O Banco Central precisa ter uma política monetária atuante porque há expectativas negativas que em algum momento acabarão se refletindo em repasses. O BC tem de mostrar que não haverá tolerância com a inflação", comenta o economista Carlos Kawall, do Citibank.O economista Eduardo Figueiredo de Freitas, do Unibanco, lembra que essa deterioração nas expectativas de inflação reflete apenas as incertezas sobre o que será feito no próximo governo, mas sobretudo os efeitos de uma desvalorização cambial de mais de 50% neste ano sobre os preços, o que naturalmente traria essa pressão inflacionária que os índices correntes vêm comprovando. "É simples. O câmbio onde está gera uma inflação elevada, não é somente porque houve perda de confiança", diz.Para o estrategista chefe do HSBC, Dawber Gontijo, mesmo que a decisão sobre a alta dos juros seja adiada - o que ele não acredita que vá ocorrer - a ata do Copom teria de trazer uma menção clara de que o BC está atento ao tema das expectativas. "Caso a elevação não aconteça agora, a ata deveria sair com um ´statement´ afirmando que a autoridade monetária vê com preocupação esse tema e que estará pronto para agir", sugere o estrategista.Seis bancos consultados pela Agência Estado - JP Morgan, Citibank, Unibanco, BBV Banco, Bank of America e HSBC - apostam em elevação da Selic na próxima reunião do Copom, de 50 a 100 pontos base, com maior concentração no segundo número.

Agencia Estado,

14 de novembro de 2002 | 19h30

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