Mercado aposta em corte menor do juro nas próximas reuniões

Para economistas, após novo corte de 1 ponto na Selic, Banco Central tende a ser mais comedido nos cortes

Agência Estado,

10 de junho de 2009 | 21h06

Surpreendidos pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar a taxa básica de juros do País, a Selic, em um ponto porcentual nesta quarta-feira, 10, os economistas acreditam agora que o Banco Central tende ser mais comedido nos cortes nas próximas reuniões.

 

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"Foi realmente uma grande surpresa e a tudo indica que o corte em julho será menor nos juros, segundo o comunicado divulgado pelo BC", comentou o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto. "Inicialmente, trabalho com uma diminuição de 0,50 ponto", acrescentou. Campos Neto fazia parte da corrente majoritária do mercado financeiro, que aguardava uma redução menor para a Selic hoje, de 0,75 ponto porcentual.

 

"Ainda não fechamos com uma projeção, mas acreditamos inicialmente que o BC deverá reduzir a Selic em 0,50 ponto porcentual em julho. Já em setembro, avaliamos que, dificilmente, ela sofrerá modificação", opinou o economista-sênior do BES Investimento, Flávio Serrano. O economista chefe da MB Associados Sergio Vale também prevê um corte nestas proporções para a próxima reunião do Copom, que será concluída no dia 22 de julho.

 

O sócio da consultoria Tendências, Juan Jensen acredita que na próxima reunião, a ser encerrada no dia 22 de julho, o Banco Central poderá cortar os juros em mais 0,25 ou 0,50 ponto porcentual. "Acredito que o Banco Central espera coordenar as expectativas dos juros futuros a fim de baixá-los com a decisão de hoje, pois está seguro de que a inflação não causa problemas sérios", comentou.

 

Mudanças estruturais

 

O professor de economia da USP Márcio Nakane avalia que o novo juro nominal de um dígito e a taxa real próxima de 5% impõem uma nova realidade macroeconômica, que exige mudanças estruturais para que os juros possam continuar a cair. "Na prática, o juro de um dígito é apenas simbólico. O importante é o patamar do juro real. Isso não é só simbologia porque tem implicações econômicas", diz.

 

"Isso se torna um problema porque temos parte da economia muito indexada. Ainda há uma série de operações com remuneração predeterminada, como a poupança, empréstimos habitacionais e a remuneração do fundo de garantia. Isso é um obstáculo para a continuidade da queda do juro", diz o professor. Para Nakane, esse debate vai ter de ser feito pelos próximos meses.

 

Ele minimiza as recentes decisões do governo sobre fundos de investimento e a poupança, que, na sua avaliação, são apenas paliativos. "Aquelas medidas não resolvem o problema porque a regra de remuneração não foi alterada. Foi apenas um paliativo". "A Fazenda enxergou um problema envolvendo a rentabilidade dos fundos versus a rentabilidade da poupança e resolveu o problema que está na estrutura da operação da poupança", diz.

 

 

"A não ser que se mexa na estrutura dessas operações, certamente o BC não poderá continuar reduzindo o juro mesmo que a economia permitir", diz Nakane. Para o professor da USP, porém, o governo terá um "respiro" porque o aumento da atividade econômica vai impedir que os cortes se prolonguem por muito tempo. "Acho que o BC não vai precisar se preocupar muito com esse problema, pelo menos por enquanto, porque as condições econômicas vão determinar a interrupção dos cortes".

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