Mercado aposta em manutenção da Selic

Maioria dos analistas avalia que o Copom deverá manter juro a 10,75% ao ano, embora alguns economistas estimem uma alta entre 0,25 e 0,50 ponto

Fabio Graner / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2010 | 00h00

O Comitê de Política Monetária (Copom) decide na quarta-feira qual será a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic). O mercado aposta majoritariamente em manutenção da Selic, atualmente em 10,75% ao ano, depois dos sinais claros dados pelo Copom de que está mais confortável quanto às perspectivas para a inflação no Brasil.

Na ata da última reunião, divulgada no fim de julho, a autoridade monetária viu melhora no balanço de riscos e destacou que o cenário externo dava uma contribuição desinflacionária ao País. Apesar de a maior parte do mercado apostar em manutenção da Selic, há uma minoria de analistas que prevê mais uma alta. Esse grupo está dividido entre 0,25 e 0,50 ponto porcentual, repetindo a última decisão do BC.

O quadro para a próxima reunião do Copom não é trivial. De um lado, os últimos números de inflação se mostraram extremamente favoráveis, com taxas ao redor de zero, e os dados da economia consolidaram a percepção de que de fato houve uma desaceleração importante da atividade no segundo trimestre, reduzindo riscos de inflação.

Dúvidas. Por outro lado, dados novos sobre a economia, referentes a julho, como a redução do desemprego para 6,9% (a segunda menor taxa da história) e a alta forte da renda da população ocupada no mês, entre outros, colocam dúvidas sobre se a economia já voltou a trabalhar em ritmo que colocaria em risco a trajetória de inflação. Deve-se somar a isso a elevação, ainda que discreta, da média da expectativa do mercado para a inflação em 2011, de 4,8% para 4,86% (acima, portanto, do centro da meta, que é de 4,5%). Afinal, nível de atividade e expectativas para o IPCA são dois itens olhados com extrema atenção pelo BC.

Para a economista-sênior do banco RBS Global Banking & Market, Zeina Latif, o BC deve manter o juro no atual nível, em razão do cenário internacional e seu potencial impacto de redução na inflação brasileira. Ela avalia que as boas surpresas da inflação nos últimos meses devem levar a uma redução no IPCA projetado pelo BC para 2011, embora se situando ainda acima da meta.

"O BC deverá ver uma melhora no balanço de riscos. Mas, sem deixar de usar um discurso conservador, de pontuar que ainda existem riscos e deixar claro que, se houver necessidade de subir a Selic, não deixará de fazê-lo", diz a economista.

O economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos, está no grupo dos que apostam numa pequena elevação de 0,25 ponto porcentual no juro. Segundo ele, o histórico gradualista do BC leva a crer que, para encerrar o ciclo de aperto iniciado em abril, a autoridade monetária faça um leve ajuste agora e anuncie que parou de elevar o juro para olhar o comportamento da economia.

Pessimismo. Na ponta mais pessimista, está a consultoria Tendências, que mudou na última hora sua expectativa para o Copom. A instituição projetava manutenção da Selic, mas agora trabalha com alta de 0,5 ponto porcentual. "A gente estava meio contrariado, mas previa manutenção, como a maioria do mercado. Mas com os últimos dados mostrando a economia acelerando e as projeções de inflação do mercado para 2011 subindo, resolvemos alterar nossa previsão para alta de 0,5 ponto porcentual na Selic", disse o economista Bernardo Wjuniski.

Segundo ele, apesar de mostrar um cenário mais favorável na ata de julho, o BC não fechou as portas para subir os juros. Wjuniski disse que a contribuição externa favorável para a inflação, mencionada pelo BC como fator desinflacionário, não está efetivamente ocorrendo, já que as commodities subiram em média 3,3% desde o último Copom.

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