Mercado aposta em Selic a 7,25% no ano que vem

Das 75 instituições consultadas, 42 acreditam que o Copom não vai mudar a taxa

O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h19

Pesquisa realizada pelo AE Projeções sobre as expectativas para a Selic ao final de 2013 mostra aumento da corrente dos economistas que acreditam que a taxa será mantida em 7,25% não somente na reunião do Copom de novembro mas também ao longo do ano que vem.

Das 75 instituições que participam do levantamento, pouco mais da metade (42) acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) não vai mexer na taxa em 2013, enquanto outras 31 computam elevação da taxa no segundo semestre e, ainda, duas instituições projetam queda do juro básico no próximo ano.

Ainda que com um universo bem menor de instituições, o último levantamento deste tipo, realizado pelo serviço especializado da Agência Estado no dia 18 de outubro, logo após a divulgação da ata do Copom, mostrava um quadro mais dividido sobre as opiniões do mercado a respeito da política monetária no ano que vem. Entre 33 casas consultadas, 19 previam alta da taxa, enquanto 14 acreditavam na manutenção dos atuais 7,25%.

Nos últimos dias, cresceu o pessimismo com a economia mundial, diante da confirmação da recessão na zona do euro, do acirramento dos problemas fiscais nos países periféricos da região e da falta de um projeto para evitar o temido abismo fiscal nos EUA.

Uma das casas que reviu seus cenários de Selic e juros em 2013 foi o Itaú Unibanco. Para o PIB, a expansão projetada passou de 4,5% para 4,0%. Quanto à taxa básica de juros, os economistas passaram a trabalhar com uma previsão de que a Selic siga estável em 7,25%, ante 8,50%.

Para o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, a taxa básica de juros deve seguir no nível de 7,25% até meados do primeiro semestre de 2014. Ele não trabalha com uma retomada tão forte da economia em 2013, o que permitiria ao Banco Central não retomar um ciclo de alta da Selic no ano que vem, já que o incremento do PIB brasileiro estaria ainda abaixo do seu potencial.

Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria Integrada, vai além ao prever que o juro fica onde está até o final do mandato da presidente Dilma Rousseff, em 2014. "Até porque há sinalização recorrente de que o juro não é o instrumento que eles preferem utilizar para uma eventual necessidade de controlar a inflação. Só ocorreria em risco mais claro de estouro do teto da meta", disse.

Na ala dos que acreditam em aumento da Selic no próximo ano, está o economista-chefe da Santander Asset, Ricardo Denadai. "Os economistas estão com a atenção voltada ao ritmo de crescimento entre o quarto trimestre e o primeiro trimestre do ano que vem. Esta virada será muito importante para saber a velocidade da recuperação. A confirmação do ritmo será fundamental para determinar expectativas sobre inflação e juros", observou. Em seu cenário central a Selic terminará 2013 na marca de 8,75%, após altas de 0,50 ponto porcentual nas três últimas reuniões do Copom no período. / DENISE ABARCA, FLAVIO LEONEL E MARIA REGINA SILVA

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