Mercado aposta na manutenção da Selic em 19% ao ano

O destino da taxa dos juros básicos da economia, que deve ser discutido nestas terça-feira e quarta-feira, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), é quase um consenso entre os analistas. Embora a maioria acredite que há espaço para uma redução da taxa, a expectativa geral é que prevaleça o conservadorismo, mantendo-se a Selic nos atuais 19% ao ano.Na opinião do consultor e ex-diretor do BC Emílio Garófalo Filho, a queda dos juros internacionais, inflação sob controle e a neutralidade do Brasil às crises de outros países são componentes mais do que suficientes para se começar a cortar juros. "Mas o Banco Central tem sido conservador e tem acertado. Acho que, se houver qualquer mudança, ela será pequena, com um corte de 0,25% a 0,50% ou a introdução de um viés de baixa", diz o economista.Para o diretor de Asset Management do Banco BNL do Brasil, Cláudio Lellis, apesar de ser grande a diferença entre a atual taxa de juros e a inflação prevista para este ano, o BC deverá manter a Selic, sob a alegação de que o problema das contas externas ainda persiste. Segundo ele, esta variável é mais importante do que a inflação como determinante para a política monetária.Já o economista-chefe do Banco Safra, Eduardo de Freitas acredita que a taxa de juros será mantida pelo menos até março. Até lá, segundo ele, o BC terá mais tranqüilidade do ponto de vista do cenário inflacionário para decidir sobre um possível corte. Na opinião de Freitas, qualquer redução agora não seria suficiente para diminuir o desemprego ou elevar o ritmo da atividade econômica antes das eleições.O professor de Economia da PUC-RJ e membro do Conselho do IBGE Luiz Roberto Cunha também acredita que o Copom só vai baixar a taxa de juros em março. Segundo ele, espaço para redução o BC já tem. "A inflação medida pelo IPCA nos próximos três meses deve cair para uma média de 0,20% ao mês, mas creio que o conservadorismo do Copom deverá prevalecer", diz Cunha.

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