Mercado aposta na queda da Selic

O mercado financeiro intensificou as apostas de queda da taxa básica de juro na reunião de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom). A perspectiva foi sinalizada no mercado futuro de juros, onde as projeções indicam que a expectativa é de juro médio, entre hoje e o fim do mês, de 16,37%, de acordo com o contrato de um dia de Depósito Interfinanceiro (DI) negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).Para analistas, a renegociação das metas entre o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Argentina e a manutenção do juro pelos Estados Unidos são fatores positivos. Pelo lado negativo, as atenções estão centradas no preço do petróleo e no comportamento da inflação.O ex-diretor da Dívida Pública do Banco Central (BC) e sócio da M2 Consultores Alkimar Moura aposta na continuidade da queda dos juros, apesar do repique dos preços em agosto. Os economistas-chefes dos bancos Sul América Investimentos, Luiz Carlos da Costa Rego, do CSFB Garantia, Rodrigo da Rocha Azevedo, e o diretor do ABN Amro, Arturo Porzecanscki, têm opinião idêntica e aguardam hoje redução de 0,5 ponto porcentual na Selic.Segundo eles, a alta dos índices de inflação é que deve centrar a decisão do Copom e o repique apresentado em agosto é é transitório, sem representar mudança na trajetória dos preços. A avaliação conjunta é de que a queda da inflação ocorrerá ainda neste trimestre e de que a alta dos preços ocorre pelo lado da oferta. Para eles, a demanda ainda é fator limitante para a continuidade da pressão inflacionária. Rodrigo, do CSFB Garantia, projeta que o IPCA, o índice usado para acompanhamento das metas de inflação, deve ficar neste mês em 0,9%, contra 1,61% de julho. Em setembro, segundo ele, o comportamento dependerá do reajuste de tarifas de transporte e saneamentoPara Hugo, do ABN, a perspectiva do mercado é de queda do juro, mas ele destaca que o Copom pode apesar sinalizar uma tendência para as taxas até a próxima reunião em setembro. Isso porque a Opep - Organização dos Países Exportadores de Petróleo - tem duas reuniões no próximo mês e o resultado do encontro pode alterar o preço do petróleo no mercado externo.Política monetária não deve reagir a mudanças de preçosCom a experiência de quem passou anos no comando da dívida pública, Alkimar lembra que a política monetária não deve reagir a mudanças pontuais de preços. Até porque os juros não são muito eficientes para reagir a mudanças pontuais. No cenário externo, Alkimar vê alguns riscos de elevação de juros nos EUA. A atividade econômica está muito forte, o Produto Interno Bruto (PIB) americano está crescendo acima de 5% ao ano e, apesar de não ter pressionado a inflação, esse ritmo cria um desequilíbrio externo grande, com déficit de transações correntes alto e crescente. Isso poderá levar o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, a elevar em 0,25 ponto percentual os juros em sua próxima reunião.Ele lembra que boa parte do crescimento expressivo americano é reflexo não do consumo, mas do aumento dos investimentos privados e dos estoques, que não são sensíveis ao juro no curto prazo, mas sim ao crescimento da economia. Apesar do impacto da inflação sobre a renda, Alkimar vê um cenário favorável para o crescimento da economia brasileira no segundo semestre, impulsionado pelo aumento do crédito a partir do juro menor e da provável redução dos compulsórios dos bancos - parcela dos depósitos à vista de clientes que os bancos devem manter retidos. Com isso, aumentam a venda de bens duráveis. Há também o aumento do investimento privado e seus efeitos em todo o ciclo produtivo, favoráveis para a renda e emprego.

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