Mercado aposta que Copom manterá Selic em 18,50%

A maior parte dos analistas acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai manter os juros básicos, hoje em 18,5% ao ano, principalmente por causa da continuidade da pressão sobre o câmbio. Das 30 instituições consultadas pela Agência Estado, 22 apostam na manutenção da Selic. A expectativa do mercado é de que continue em vigor o viés de baixa, o instrumento que permite ao Banco Central (BC) reduzir os juros a qualquer momento. Nesta terça-feira, a taxa dos contratos de juros para janeiro, os mais negociados, subiu de 22,75% para 23,15% ao ano. Alguns economistas, no entanto, consideram possível uma queda de 0,25 a 0,5 ponto porcentual, devido ao afrouxamento da meta inflacionária para 2003 e do comportamento favorável dos preços livres - os únicos que são afetados diretamente pela política monetária. O economista Roberto Padovani, da Tendências Consultoria Integrada, é um dos que apostam na manutenção da Selic em 18,5%. Ele lembra que o Copom não baixou os juros em junho por causa do comportamento do câmbio e do risco País, dois indicadores que só pioraram nos últimos 30 dias. O dólar pulou de R$ 2,70 para R$ 2 872 e o risco País, de 1.250 para 1.554 pontos. Padovani acredita ainda que o viés de baixa será mantido, podendo ser usado se o câmbio começar a cair ou pelo menos se estabilizar. O economista-chefe do Bank of America, Marcelo Carvalho, enumera vários fatores que conspiram contra uma queda da Selic, como a alta do petróleo desde a reunião de junho, a piora na percepção de risco do Brasil e o fato de que a inflação corrente está muito acima da meta deste ano, de 5,5% - o IPCA acumulado em 12 meses, por exemplo, está em 7,7%. Mas, para ele, o principal problema são as pressões sobre o câmbio, "refletindo tanto as turbulências no cenário global quanto as incertezas no cenário político". A questão é que, com um dólar mais caro, o repasse da desvalorização para os preços tende a aumentar. O economista Fábio Akira, do banco JP Morgan, é outro que acredita na manutenção dos juros em 18,5% e na continuidade do viés de baixa. Para ele, se o câmbio se estabilizar entre R$ 2,80 e R$ 2,85, seria possível cortar a Selic. Segundo ele, esse é um nível de câmbio elevado, mas compatível com a nova meta inflacionária para 2003, que aumentou de 3,25% para 4% . E, vale lembrar, o intervalo de tolerância foi ampliado de 2 para 2,5 pontos porcentuais. O diretor do Banco Inter American Express, Marcelo Allain, também considera complicado cortar os juros num ambiente de forte volatilidade no câmbio. "Por isso, o mais provável é que o BC mantenha a Selic, com viés de baixa", afirma. Para ele o afrouxamento da meta de 2003 abre espaço para reduções dos juros no segundo semestre, mas é preciso que haja menos pressão sobre o câmbio. A questão é que, num cenário de aversão global ao risco e incertezas no cenário político, a tendência é de que o dólar continue em níveis elevados. O professor da PUC-Rio e membro do conselho consultivo do Sistema Nacional de Preços do IBGE, Luiz Roberto Cunha, acredita que há "condições razoáveis" para a redução da Selic entre 0,25 e 0,50 ponto porcentual. O cenário do especialista em inflação leva em conta que a mudança da meta para 2003 e a evolução dos preços livres, que excluem choques de tarifas públicas ou quebras de safra, por exemplo, abrem espaço para o recuo da Selic. Em junho, os preços livres subiram apenas 0,11%. É sobre estes preços livres que a política monetária pode influir, explicou o professor da PUC. Além disso, as incertezas referentes ao câmbio e ao risco País "não fariam muita diferença", já que este quadro está ligado às eleições e não tende a melhorar no curto prazo. O Banco Crédit Suisse First Boston (CSFB) aposta num corte de 0,5 ponto dos juros. A mudança na meta para 2003 e o fato de que a previsão do BC para o IPCA estava em 2,6%, bem abaixo do centro da meta, de 4%, abrem espaço para uma redução da Selic, mesmo com um dólar na casa de R$ 2,80.

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