Mercado: apreensão com cenário externo

O preço do petróleo voltou a subir forte nesta sexta-feira nos mercados internacionais. De acordo com a editora Patricia Lara, o movimento de alta foi sustentado pelas preocupações sobre a possibilidade de um furacão atingir o Golfo do México - região que produz grande parte do petróleo importado pelos Estados Unidos - e pelo agravamento das tensões entre Iraque e Kuwait. Os contratos futuros do petróleo em Nova York chegaram a atingir US$ 35,65 o barril e há pouco estavam cotados a US$ 35,59 - alta de US$ 1,52 em relação a ontem. Diante da instabilidade no cenário externo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 1,16%. O dólar comercial está cotado no patamar máximo do dia - R$ 1,8460 - alta de 0,38% em relação ao fechamento dos negócios ontem. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 17,180% ao ano no início da tarde, frente a 17,050% ao ano registrados ontem. Analistas acreditam que a alta contínua do preço do petróleo deve obrigar o governo a promover nova alta do preço dos combustíveis. Porém, é possível que a equipe econômica aguarde até o final do ano para que tenha uma idéia mais precisa de qual o espaço para manobra nos preços, a fim de não comprometer a meta anual de inflação - de 6%, com possibilidade de alta de dois pontos. Para o próximo ano, a meta de inflação é ainda mais justa - 4%. Nesse caso, se o governo postergar a alta dos combustíveis para 2001, o risco de não cumprimento da meta é maior. O cenário para a inflação é decisivo para a definição da taxa básica de juros (Selic), que será reavaliada na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 19 e 20. A maioria dos analistas espera que a Selic seja mantida em 16,5% ao ano e que, ao final de 2000, chegue em 16% ao ano.

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