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Mercado aprova plano da Petrobrás, mas cobra detalhamento

Estatal anunciou corte de 37% nos investimentos até 2019, além da venda de mais de US$ 15 bilhões em ativos; presidente afirma que objetivo é reduzir dívida da companhia

FERNANDA NUNES, MARIANA SALLOWICZ E KARIN SATO, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2015 | 02h00

O novo plano de negócios da Petrobrás trouxe um corte de investimento de acordo com as expectativas do mercado. Mas pecou na falta de detalhamento sobre a estratégia de financiamento, o desinvestimento e os rumos da política de preços.

Para analistas, faltou à estatal informar de onde vai tirar o dinheiro para cobrir o investimento, se vai conseguir convencer o governo a manter os preços dos combustíveis em linha com as cotações internacionais e ainda quais os ativos que serão vendidos, dentro do seu programa de desinvestimento.

"É difícil entender como a Petrobrás vai gerar caixa - acima do seu valor de mercado - por meio de desmobilização e venda de ativos em apenas dois anos", destacou a equipe de análise do Bradesco BBI. Para eles, levando em conta as premissas da estatal, a geração de caixa apenas com a operação não será suficiente para cobrir os investimentos anunciados.

Subsídios. O BTG Pactual destaca que a intenção de acabar com o subsídio dos combustíveis fez parte de todos os planos da Petrobrás nos últimos anos e, que, a empresa precisaria sinalizar com mais clareza a sua política de preços para convencer o mercado de que não vai voltar a subsidiar os combustíveis.

"Os preços da gasolina estão com desconto há mais de um mês", ressaltou o banco. Ele ainda questiona o plano de desinvestimento da petroleira que "também parece um desafio, a não ser que a empresa aceite vender participações majoritárias em ativos a serem alienados."

Para o Morgan Stanley, considerando as premissas de preço do petróleo do tipo Brent (US$60/barril neste ano), do câmbio (R$ 3,10 em 2015), e a retração da meta de produção, "é difícil ver como a Petrobrás pode se desalavancar (reduzir o compromisso do caixa com o pagamento de dívida)."

Para Karina Freitas, da corretora Concórdia, a revisão da meta da meta de produção de petróleo de 4,2 milhões de barris por dia para 3,7 milhões em 2020 tem intenção de evitar frustrações, o que tem acontecido de forma recorrente.

"Acreditamos que o momento é bastante desafiador para a empresa, que terá que colocar ativos à venda num período pouco favorável, fator que aliado ao aumento da produção - agora menos robusta - e política de preços condizente será relevante para a redução de seu endividamento", aponta o relatório.

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