Mercado argentino comemora reestruturação da dívida

A Bolsa de Valores de Buenos Aires, contagiada pelo clima de euforia que tomou conta do mercado financeiro local e do governo do presidente Néstor Kirchner, fechou em alta de 4,6% nesta sexta-feira. A origem do clima de festa foi o suposto sucesso no encerramento do processo de reestruturação da dívida pública com os credores privados, concluído às 18:15 (hora de Buenos Aires e de Brasília). Dados extra-oficiais indicavam que o governo teria obtido uma adesão de 75% dos credores em todo o mundo para a troca de títulos velhos, em estado de calote, pelos novos, reestruturados.Segundo o JP Morgan, 91% de seus clientes donos de títulos argentinos haviam optado pela troca da dívida. Dentro da Argentina, apesar do esperneio das lideranças de associações de credores, a adesão teria sido de 97% (os credores argentinos possuem 37% da dívida). Desta forma, o governo encerrou 1.159 dias de calote da dívida pública, ao longo dos quais passou pelos piores momentos na História da relação da Argentina com os mercados internacionais.Kirchner declarou pouco antes do encerramento da troca de títulos que a Argentina havia conseguido a melhor reestruturação da dívida no mundo. Os analistas atribuem o sucesso de Kirchner e sua equipe econômica ao pulso firme nas negociações com os mercados. Outro fator crucial teria sido o efeito "cansaço" dos credores, mais forte do que sua raiva com o governo caloteiro. Além disso, os analistas sustentam que Kirchner e o ministro da Economia, Roberto Lavagna, foram favorecidos pelo fator "sorte", ou seja, uma conjuntura internacional com juros tão baixos que - por comparação - tornaram os novos bônus argentinos um produto com apelo financeiro. A reestruturação da dívida envolveu US$ 81 bilhões e 800 milhões que serão reduzidos para uma faixa que oscilará entre US$ 38,5 bilhões e US$ 41 bilhões. Os credores que optaram pelos novos títulos terão que esperar até 2047 para terminar de receber todo o dinheiro.Os credores que optaram por permanecer fora da troca de títulos terão como única saída recorrer aos tribunais internacionais contra o Estado argentino.

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