Mercado argentino espera sucesso de swap da dívida pública

O mercado financeiro argentino está eufórico com a possibilidade de o "swap" (troca) de dívida pública programado para a amanhã pela Secretaria de Finanças atrair o maior número de investidores possível, elevando o montante inicial de US$ 1,5 bi para pelo menos US$ 4 bi. Antes, porém, o governo argentino espera conseguir hoje (terça-feira) trocar outros US$ 700 mi em títulos de curtíssimo prazo no mercado local.Serão US$ 350 mi em Letras do Tesouro (Letes) de 91 dias de prazo e outros US$ 350 mi em Letes de 182 dias. Há 15 dias, a taxa cobrada pelo mercado caiu para 6,75% para os papéis de 91 dias, metade do que vinha cobrando no período da crise política, no último trimestre do ano passado. Analistas e o governo acreditam que, com a contínua queda do risco país nas últimas semanas, a taxa possa ficar hoje no patamar de 6%. Embora não tenham sido anunciadas ainda as condições de emissão dos novos bônus em dólares e em pesos (Bônus do Tesouro com vencimento em 2006 e Bônus Globais com vencimento em 2012) para substituir os que devem vencer a curto prazo, os analistas consideram que a operação de quarta-feira contará com um alto nível de participação. "Acreditamos que a maior parte das ofertas virá de investidores institucionais (fundos de pensão), embora exista também a possibilidade de uma alta participação de bancos, inclusive de varejo", disse um analista da Argentine Research à Agência Estado.Em conseqüência da queda nas taxas de juros norte-americanas e das taxas no mercado interno - a taxa over (interbancária), por exemplo, caiu para 5,35%/5,69% em pesos e para 5,45%/5,70% em dólares, significativamente abaixo dos quase 23% no período da crise -, espera-se que o governo consiga colocar os novos bônus de seis e 12 anos a uma taxa não superior a 12%. Esse analista explicou que a operação de troca de dívida nesta quarta-feira mostrará uma importante segmentação do mercado, com boa participação de pequenos investidores, principalmente adquirindo bônus com vencimento em 2006, enquanto que os grandes investidores devem optar por bônus globais que vencem em 2012. Participantes - O "swap" será realizado pela Goldman Sachs e Salomon Smith Barney, com a participação de um grupo de bancos, por meio dos quais será canalizada a troca. Entre essas instituições financeiras estão o Morgan Guaranty Trust Co., Deutsche Bank, BankBoston, Citibank, Banco de Galicia, BBVA Banco Francés, Banco Rio de la Plata, The Chase Manhattan Bank, ING Bank, Bank of America, HSBC Bank Argentina e ABN Amro Bank.A operação, cujo montante foi acertado com o setor privado, faz parte do pacote financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI), assinado ao final do an o passado. "Consideramos que os títulos com maior nível de ofertas por parte dos investidores serão aqueles denominados em pesos ou que apresentem baixa liquidez e taxa variável", disse o analista. Para ele, a possibilidade de o investidor captar a uma taxa fixa em um cenário de rendimentos decrescentes é uma das vantagens da troca de bônus que o governo fará amanhã. Para esse analista, emissão desse bônus que vencem daqui a seis e 12 anos contarão com nível de liquidez adequado. Já entre as desvantagens do ´swap´ apontadas estaria o prazo dos novos bônus, que implica maiores riscos ou maior volatilidade. "Os novos títulos são bullet, o que elimina as amortizações parciais anteriores", afirmou esse analista.

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