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Mercado assusta com Argentina e BC intervém

O nervosismo com a Argentina aumentou e a Bolsa de Valores de Buenos Aires teve a maior queda desde março de 1991: 7,02%, pressionando os mercados brasileiros. O Banco Central voltou a vender títulos cambiais para conter a alta do dólar. E o risco país da Argentina atingiu máxima histórica de 1755 pontos base (ver link abaixo). A queda de 14% na arrecadação em setembro, comparada com o mesmo período do ano passado, demonstrou aos mercados que o plano de eliminação imediata do déficit público não está enfrentando enormes dificuldades e os investidores continuarão observando de perto os números de outubro. Outro sinal muito negativo foi a forte queda na arrecadação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), de 31%.As eleições legislativas marcadas para 14 de outubro devem reduzir muito a base de apoio do governo no Congresso, segundo analistas. E os mercados temem que essa seja a data limite para a adoção de medidas mais drásticas. A boataria foi intensa a respeito do que poderia acontecer logo após as eleições, desde os tradicionais, como desvalorização, calote da dívida e saída do ministro da Economia, Domingo Cavallo, até uma possível moratória da província do Chaco.A diferença é que o governo federal adiou para o ano que vem muitas despesas desse segundo semestre na expectativa de recuperação. Mas o que acontece é um agravamento da crise. Os US$ 8 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) também não serão capazes de conter o pânico por muito tempo, e a resistência do público e do Congresso a novas medidas impopulares tende a crescer. Um fato importante é que setores mais amplos da oposição pedem a saída de Cavallo e líderes da Central Geral dos Trabalhadores (CGT) pediram desvalorização cambial.Brasil seria atingido em momento vulnerávelOs mercados brasileiros temem pelos efeitos da crise argentina no Brasil. Antes dos ataques terroristas aos Estados Unidos, os analistas viam a situação com mais tranqüilidade, especialmente depois da assinatura do acordo preventivo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que liberou US$ 15 bilhões para o País em agosto. Mas o fluxo de capitais estrangeiros será muito reduzido pela forte desaceleração internacional, guerra e eleições presidenciais. Com isso, o câmbio fica pressionado pela falta de dólares e, conseqüentemente as taxas de juros, para tentar atrair recursos. Uma ruptura na Argentina poderá afetar muito o Brasil, que está num momento vulnerável.Analistas já falam em mais um acordo com o FMI para permitir que a situação seja administrada com mais folga em 2002. Especialmente se a economia norte-americana retomar a tendência de crescimento no segundo semestre do ano que vem, recorrer ao Fundo faria sentido. O governo norte-americano e organismos internacionais devem ser mais maleáveis depois dos acontecimentos de 11 de setembro. Fala-se até em nova ajuda também para a Argentina.Mercados nos EUA comemoram pacoteJá nos Estados Unidos, o governo não só reduziu o juro básico a ponto do juro real estar próximo de zero, como o presidente George W. Bush propôs um plano de estímulo econômico. O pacote enviado ao Congresso pede liberação de recursos entre US$ 60 e US$ 75 bilhões. A reação dos mercados foi imediata, com altas significativas nas bolsas de valores.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,7220, com alta de 0,55%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 24,350% ao ano, frente a 24,150% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,13%.O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em queda de 7,02%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,94%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 5,93%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

03 de outubro de 2001 | 17h55

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