Mercado atento ao cenário externo

O cenário internacional deve continuar influenciando o mercado financeiro brasileiro. Apesar da queda do preço do petróleo pelo segundo dia consecutivo, os analistas ainda vêem a questão como um fator de incerteza. De acordo com a editora Patricia Lara, os contratos para outubro do petróleo tipo Brent eram negociados nessa manhã a US$ 31,90 o barril - queda de 1,7% em relação a ontem.Nem mesmo o recuo da inflação apontado ontem pela divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi capaz de reverter a tendência negativa no mercado. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em baixa influenciada pelo desempenho negativo da Nasdaq - bolsa norte-americana que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet. Hoje, o mercado acionário começa o dia seguindo essa mesma tendência. Há pouco a Bovespa operava em alta de 0,36%, enquanto a Nasdaq registrava queda de 0,54%.Os analistas continuam confiantes nas boas perspectivas para o mercado acionário a médio prazo, em função de perspectivas de queda das taxas de juros e da possibilidade de melhora do rating (classificação) da dívida brasileira. Porém, no curto prazo, a falta de recursos novos e as incertezas no mercado internacional prejudicam o bom desempenho das ações e pode fazer com que alguns investidores comecem um movimento de venda de papéis. Nesse caso, o objetivo dos investidores é diminuir o valor das perdas com o investimento. Mas isso prejudica ainda mais o mercado acionário, pois diminui o volume de recursos que já é extremamente baixo.Câmbio e jurosO mercado internacional também preocupa os analistas do mercado de câmbio e juros. Depois de fechar em alta ontem, o dólar iniciou o dia cotado a R$ 1,8310 na ponta de venda dos negócios - uma alta de 0,05% em relação aos últimos negócios de ontem. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - começaram o dia pagando juros de 16,950% ao ano, frente a 16,990% ao ano registrados ontem.A alta no preço do petróleo pode fazer com que o governo suba o preço dos combustíveis ainda esse ano. De acordo com Heron do Carmo, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas e Estatística (Fipe), vinculada à USP, o mais provável é que o governo só determine esse reajuste no início de dezembro, quando a equipe econômica terá uma idéia de qual a folga entre a inflação acumulada no ano e a meta inflacionária estabelecida pelo governo - de 6% com possibilidade de alta de dois pontos porcentuais (veja mais informações no link abaixo). A pressão sobre a inflação pode atrasar a política de redução das taxas de juros que vem sendo promovida pelo Banco Central. Analistas que acreditavam que a taxa básica de juros - Selic - chegasse ao final do 2000 em 15% ao ano já revisam suas projeções para o patamar de 16% ao ano. Vale lembrar que o Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se nos dias 19 e 20 de juros para a reavaliação mensal da Selic.

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