Mercado atento ao preço do petróleo

A alta do petróleo continua no centro das atenções no mercado financeiro. Ontem os contratos do produto com vencimento em outubro subiram 2,67% em Nova York. Isso fez com que a cotação do dólar chegasse a R$ 1,859 - o maior valor desde 10 de dezembro. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também apresentou desempenho negativo - queda de 3,92% - e os juros subiram novamente.Hoje, na abertura do dia, o preço do petróleo recuou um pouco. O mesmo barril que era negociado ontem a US$ 36,88 está sendo vendido a US$ 36,69 na abertura dos negócios em Nova York. Caso o nervosismo em relação à instabilidade do preço do barril do petróleo diminua no mercado internacional, o mercado financeiro brasileiro poderá apresentar um pouco de tranqüilidade. Porém, os operadores não estão otimistas e acreditam que o preço do petróleo ainda deve continuar em patamares elevados. Há pouco, o dólar estava cotado a R$ 1,855 na ponta de venda dos negócios - uma queda de 0,22% em relação aos últimos negócios de ontem. A Bovespa opera em alta de 1,62%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - começaram o dia pagando juros de 17,450% ao ano, frente a 17,470% ao ano registrados ontem. Por que a alta do petróleo pressiona o dólar?De acordo com estudo do Lloyds TSB, a alta do preço do petróleo tem impacto negativo no mercado de câmbio. Isso porque, com o produto mais caro, as perspectivas para o crescimento da economia mundial ficam comprometidas e o Real, por conseqüência, desvaloriza-se. Esse movimento é explicado porque, com a alta do preço do produto, os juros nos países desenvolvidos tendem a subir para conter pressões inflacionárias, engessando o crescimento da economia dessas nações. Juros mais altos em países desenvolvidos atraem investidores estrangeiros que estão com recursos alocados em países emergentes, como o Brasil. Isso ainda não aconteceu. Mas, o mercado financeiro antecipa essa tendência e os investidores passam a retirar moeda norte-americana de circulação, o que faz com que a cotação do dólar suba. Para a economia brasileira, esse cenário também não é positivo. As exportações brasileiras ficam reduzidas, já que há um menor crescimento global. Além disso, o Brasil tem um aumento no custo da captação de dinheiro no mercado internacional e, por isso, precisa pagar juros mais altos na colocação de seus papéis.Copom deve manter juros em 16,5% ao anoEm meio às incertezas em relação ao preço do petróleo, a maioria dos analistas acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a taxa básica de juros - Selic - em 16,5% ao ano. O Comitê reúne-se hoje e amanhã para reavaliar a taxa. Caso seja essa a decisão do Copom, os operadores acreditam que o mercado não deve apresentar oscilações, já que a manutenção é dada como certa.

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