Mercado aumenta previsão sobre juros, mostra pesquisa do BC

As instituições financeiras ouvidas na pesquisa semanal do Banco Central (BC) elevaram de 13,63% para 13,80% as previsões de taxa de juros para o final do ano. Com a mudança, a perspectiva de corte dos juros em 2004 foi reduzida de 2,87 pontos para 2,7 pontos, reforçando uma tendência de aumento do conservadorismo dos entrevistados pela segunda vez consecutiva. A elevação ainda coincidiu com a divulgação na última sexta-feira de uma denúncia de corrupção contra um então assessor da Presidência, que pode vir a ter maiores desdobramentos ao longo da semana que se inicia. Para o final de 2005, as estimativas levantadas pelo BC mantiveram-se nos mesmos 12,50% ao ano da pesquisa divulgada na semana passada.As projeções de juros médio para os dois anos registraram, ao mesmo tempo, elevações de 14,99% para 15,06% em 2004 e de 13,10% para 13,20% no próximo ano. As expectativas para os juros do final de fevereiro do corrente ano permaneceram estáveis em 16,50%, corroborando o consenso formado em mercado de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá mesmo manter os juros inalterados na reunião desta semana. Para o final de março, as estimativas divulgadas hoje pela primeira vez mantiveram-se em 16,25%, embutindo uma volta da trajetória de queda das taxas já no terceiro mês do ano com uma queda de 0,25 ponto porcentual. O porcentual de redução projetado pelo mercado para março é o mesmo do voto dado por um dos integrantes do Copom na reunião de janeiro, quando os juros foram mantidos em 16,50% por 8 votos a 1 e os mercados foram pegos de surpresa. IPCAAs projeções de mercado para o IPCA acumulado em 12 meses à frente recuaram de 6,02% para 5,69% na pesquisa semanal do BC. Há quatro semanas, as estimativas de IPCA em 12 meses estavam em 5,96%. As previsões para o IPCA de 2004 no entanto ficaram estáveis nos mesmos 6,02% da pesquisa divulgada na semana passada. As estimativas para 2005 seguiram a mesma tendência e ficaram nos mesmos 5% da pesquisa anterior. Os dois porcentuais ainda encontram-se dentro do intervalo de tolerância de 2,5 pontos porcentuais admitido no sistema de metas de inflação já fixadas em 5,5% para o corrente ano e em 4,5% para 2005. As instituições financeiras ouvidas pelo BC optaram, ao mesmo tempo, por elevar as estimativas de IPCA para o corrente mês de 0,70% para 0,71% e ainda puxou as projeções para março de 0,41% para 0,43%. Os dados da pesquisa divulgada na manhã de hoje ainda apontaram para estabilidade das estimativas de reajuste dos preços administrados neste e no próximo ano em 7% e 6%, respectivamente. Câmbio As projeções de mercado para a taxa de câmbio no final de 2004 continuaram estáveis em R$ 3,10 na pesquisa semanal do BC pela quarta semana consecutiva. A denúncia de corrupção contra um assessor da Presidência com sala no terceiro andar do Palácio do Planalto não foi suficiente para alterar a rota de estabilidade das estimativas para o câmbio no fim do ano. As previsões para o final de 2005 no entanto registraram uma pequena elevação de R$ 3,27 para R$ 3,28, voltando com isso ao mesmo patamar de há quatro semanas. As estimativas de câmbio médio para 2004 seguiram a mesma tendência de estabilidade e ficaram nos R$ 3,01 da pesquisa divulgada na semana passada, enquanto as projeções de taxa média de câmbio para o próximo ano subiram de R$ 3,18 para 3,19. As projeções para o câmbio no final do corrente mês subiram, na mesma pesquisa, de R$ 2,90 para R$ 2,91, e as previsões para o final de março ficaram estáveis em R$ 2,92.Relação dívida-PIBAs projeções de mercado para a dívida líquida do setor público em 2004 subiram de 56,10% para 56,25% do Produto Interno Bruto (PIB) na pesquisa semanal do BC. A elevação ocorreu na mesma pesquisa em que as estimativas de juros para o final do ano subiram de 13,63% para 13,80% ao ano. As previsões para a dívida líquida do setor público em 2005 no entanto ficaram estáveis nos mesmos 54,70% do PIB da pesquisa anterior. As estimativas de superávit primário do setor público para os dois anos ficaram estáveis em 4,25% do PIB em ambos os períodos.

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