Mercado avalia EUA enquanto DF esfria os ânimos

Depois da guerra fratricida pela sucessão do Congresso dos últimos dois dias, Brasília tenta esfriar os ânimos. Os governistas suspenderam as votações até a próxima terça-feira e, até lá, espera-se um posicionamento mais claro do PFL, que vem buscando na oposição um apoio desesperado para romper o favoritismo do PSDB na Câmara e do PMDB no Senado. Enquanto os políticos tentam ajustar suas posições, o mercado deve passar o dia hoje atento a novos indicadores que possam mostrar a magnitude da desaceleração da economia nos EUA. Às 11h30, sai o relatório do emprego e, às 13h, serão divulgados dados das encomendas às indústrias e do sentimento do consumidor. O NAPM de ontem assustou os investidores ao reforçar o medo de uma recessão. Alguns analistas se mostram confortáveis diante da expectativa de que a recessão, se vier mesmo, dure apenas dois trimestres e os EUA retomem o vôo a partir do segundo semestre.Mas não há consenso sobre isto, como mostra o economista José Scheikman, da Universidade de Princeton. Ele diz no ?Estado? hoje que o efeito de uma mudança de juros só pode ser medido após um período de seis meses a um ano do fato e lembra que Greenspan já errou a mão antes, ao subir o juro para 6,5% no passado.O mercado também espera mais informações da Anatel, que está dando entrevistas sobre a até agora frustrante licitação do SMP. Descobriu-se ontem à noite que o único consórcio que entregou envelope para a banda C - o Serranby - não tinha proposta e, hoje, a Anatel já informou que o Serranby sequer havia depositado garantias. Ou seja, a banda C micou, o que diminuiu as expectativas de entrada de recursos no país e lança dúvidas, também, sobre o sucesso dos leilões das demais bandas, a D e a E.Queimando gorduras - Além da infeliz combinação de fatos negativos desta qiunta-feira, o péssimo desempenho do mercado ontem à tarde foi atribuído também ao fato de os ativos, sobretudo as ações e os contratos de juros, virem de um desempenho muito bom em janeiro. Ou seja, havia gorduras a queimar e o mercado aproveitou as turbulências. Alguns analistas, porém, ainda procuram relativizar as más notícias internas que abalaram os negócios ontem. No caso da banda C, embora seu adiamento diminua as entradas no câmbio e afete as projeções de arrecadação fiscal do governo, operadores ponderam que as dificuldades do leilão são um alívio para as atuais operadoras, que ganham tempo para operar com baixa concorrência. Sobre as turbulências políticas, avalia-se que a tendência seja de o PFL voltar à base aliada após a sucessão na Câmara e no Senado, ainda que sem o engajamento do passado. Ameaças à privatização feitas ontem por Aécio e Inocêncio não são levadas à sério. "As críticas de Aécio à privatização do setor elétrico são naturais, pois o setor é comandado pelo PFL, e o modelo para as geradoras vai mudar para o de pulverização de qualquer forma", comentou um profissional. Quanto ao fato de Inocêncio ter defendido CPI para privatização, o analista observa que o setor mais visado, neste caso, seria o de telecomunicações, comandado pelos tucanos. Ou seja, em um caso e outro os ataques estão ligados à disputa da sucessão e a tendência, segundo a fonte, seria de as ameaças morrerem junto com a eleição. De qualquer forma, o analista admitiu que as disputas tendem a continuar gerando más notícias que podem afetar os mercados pelo menos até a definição dos novos presidentes da Câmara e do Senado, em meados de fevereiro.

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