Mercado brasileiro agora tem carros de R$ 22 mil a R$ 4 milhões

Modelo importado da China é mais barato que o Mille, enquanto o novo carro trazido da Itália custa mais que a Ferrari

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2008 | 00h00

Chegam ao Brasil este mês, simultaneamente, o carro mais caro e o mais barato do mercado. O Zonda F, da marca Pagani, vem da Itália e será vendido por R$ 4 milhões - dinheiro suficiente para a compra de 174 unidades do M100, compacto chinês anunciado no ano passado, mas que só agora passa a ser negociado no Brasil.O Zonda F é um superesportivo fabricado em Módena, de forma praticamente artesanal, na empresa comandada pelo argentino naturalizado italiano Horácio Pagani. Designer e ex-funcionário da Lamborghini, ele decidiu construir carros a partir de 1999 e cuida de cada detalhe, da carroceria à manopla do câmbio, como se fosse uma obra de arte.Cada modelo Pagani leva de quatro a cinco meses para ser produzido. Ao todo, são fabricadas 25 unidades por ano. "A produção já está comprometida até 2010", informa Natalino Bertin Junior, presidente da Platinuss, empresa responsável pela importação. É decisão do fundador da Pagani restringir a produção para garantir o prestígio da marca, diz Bertin.O Brasil terá direito a uma unidade este ano e, para 2009, a cota sobe para dois modelos. Já há três interessados na primeira versão que será apresentada no dia 29, em São Paulo, num evento que terá a presença do próprio Horácio Pagani.Até agora, o carro mais caro disponível no mercado brasileiro era a Ferrari F599, por R$ 2,1 milhões. "O mercado de carros superesportivos é pouco explorado no Brasil", afirma Bertin, ao explicar a importação, neste momento, do Zonda. "Além disso, a economia está em ascensão e o dólar está baixo", acrescenta o executivo.A Platinuss, que acaba de filiar a marca Pagani à Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos (Abeiva) também está trazendo ao País, de forma independente, modelos Lamborghini e Lotus, ambos de categorias de altíssimo luxo.POPULARESO grupo Effa Motors, outro que filiou-se à Abeiva, inicia este mês as vendas do M100. O compacto movido a gasolina tem quatro portas, é importado da China e custará R$ 22.980. O Mille Fire, da Fiat, antes o automóvel mais barato à venda no País, custa R$ 23.480, na versão com duas portas e motor 1.0 bicombustível.Além do M100, a Effa também coloca no mercado três utilitários de pequeno porte: uma picape por R$ 19.980, um furgão por R$ 25.980 e uma van de passageiros por R$ 27.980.Inicialmente, estarão à disposição apenas 18 unidades desses modelos em seis concessionárias credenciadas na Grande São Paulo. Pelo menos 400 veículos importados pela empresa estão retidos na alfândega por causa da greve dos auditores fiscais, iniciada há um mês."Primeiro queremos testar a receptividade dos consumidores brasileiros", explica José Geraldo Sampaio Moura, diretor-superintendente da Effa Motors. "Nosso objetivo é uma entrada gradual e lenta."Neste ano, a Effa pretende vender 7,5 mil veículos no País, número que deve aumentar 25% em 2009. Em teste feito pelo suplemento Autos e Acessórios no fim do ano passado, o M100 foi considerado ágil nas saídas, porém com desempenho fraco de motor. O acabamento também deixa a desejar, mas o carro é equipado de série com itens não disponíveis nas versões básicas de modelos nacionais, como ar condicionado e vidros elétricos.IMPORTADOS De acordo com o presidente da Abeiva, Jörg Henning Dornbusch, as vendas de veículos importados aumentaram 200% no primeiro trimestre, com 5.345 unidades, ante 1.781 em igual período do ano passado. A entidade representa as marcas BMW, Ferrari, Kia Motors, Maserati, Porsche e Ssangyong, além das recém-chegadas Pagani e Effa.Essas marcas trazem veículos de diversos países e pagam 35% de alíquota de importação, imposto constantemente questionado pelos importadores. Dornbusch reclama que as montadoras estão vendendo veículos acima de sua capacidade produtiva a redução do imposto permitiria complementar a produção local. As montadoras também ampliaram a importação principalmente da Argentina e do México, países com os quais o Brasil mantém acordos bilaterais e os carros entram livres de impostos. Nos três primeiros meses do ano, foram importados pelas próprias fabricantes 80,8 mil veículos, volume 59,8% acima do registrado no mesmo período de 2007.A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) calcula que, até dezembro, 380 mil veículos serão importados por suas filiadas, 43% a mais que em todo o ano passado. O volume corresponde a 13% das vendas totais previstas pela entidade para este ano. O grupo ligado à Abeiva projeta trazer 22 mil veículos.

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