Mercado brasileiro reage bem a Fed, mas descarta fim da crise

O mercado brasileiro gostou dadecisão do Federal Reserve de reduzir a taxa de juros nestaterça-feira para estimular a economia norte-americana, masressaltou que o problema não chegou ao fim já que a criseimobiliária inegavelmente deixará suas marcas no crescimentomundial. Segundo os analistas, as baixas recordes nos mercadosmundiais na véspera e o baixo ânimo gerado pelo pacote deestímulo econômico proposto pelo presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, na última sexta-feira, levaram o Fed a reduziros juros uma semana antes de sua reunião agendada. "Eles (Fed) não estão para brincadeira, no sentido dedeixar essa crise aumentar", disse Miriam Tavares, diretora decâmbio da AGK Corretora. Pouco antes das 11h30, o Fed anunciou o corte de 0,75 pontopercentual, para 3,5 por cento, na taxa básica de juros e de0,75 ponto, para 4 por cento, na taxa de redesconto. Miriam Tavares prevê uma recuperação dos mercadosbrasileiros, mas fez questão de descartar "muito entusiasmo eotimismo, porque a maré não está para peixe". "Vamos ver consequências disso, o crescimento mundial vaiser impactado. O mercado vai continuar volátil, o apetite porrisco não vai voltar de uma hora para outra, mas aqueleambiente de pânico que estava se instalando vai se dissipar." Às 13h46, o dólar recuava mais de 1 por cento, cotado a1,810 real, enquanto o principal índice da Bolsa de Valores deSão Paulo subia 4,4 por cento. MAIS AÇÃO Os economistas disseram, no entanto, que dada a fraqueza domercado na véspera --que normalmente é seguida por uma certarecuperação-- e o movimento surpresa do Fed, a melhora aindaera tímida, indicando que as preocupações persistem. "O que o Fed fez hoje foi pouco usual e a bolsa poderia tersubido mais, o que mostra que o mercado está muito preocupadocom a situação toda", afirmou Vladimir Caramaschi,economista-chefe da Fator Corretora. Em Wall Street, que esteve fechada na segunda-feira por umferiado, o dia era de perdas, mas numa intensidade muito menordo que logo após a abertura dos negócios. Flávio Serrano, economista-chefe da López León Markets, vêa possibilidade de mais movimentos nas próximas reuniões dobanco central norte-americano. Ele manteve a previsão feita antes do corte desta manhã deque o juro norte-americano vai chegar a 3,25 por cento nareunião de abril, ressaltando os comentário do chairman do Fedde que o BC agirá quando necessário se o cenário econômicodemandar.

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