Mercado calmo em dia decisivo para a Argentina

A Argentina vive momentos decisivos novamente. O governo já demonstrou que é capaz de prolongar a crise inúmeras vezes, mas está cada vez mais difícil empurrar os problemas com a barriga. De qualquer forma, essa pode ser a última chance de manter a conversibilidade por mais algum tempo e os mercados estarão atentos à viagem do ministro da Economia, Domingo Cavallo, a Washington e ao encerramento da operação de troca dos títulos da dívida com credores internos. Mas, mesmo que o colapso financeiro venha, a reação aqui deve ser pontual e rapidamente revertida. Os investidores brasileiros estão tranqüilos. Ontem vários bancos internacionais elegeram o Brasil como mercado emergente mais atrativo em 2002, o que garante a entrada de divisas, mesmo com a crise ao lado. O governo argentino já tomou medidas radicais, traumáticas e questionáveis do ponto de vista jurídico no pacote anunciado no final de semana passado e não resta muita margem de manobra. Por isso, Cavallo vai ao Fundo Monetário Internacional (FMI) tentar renegociar a liberação da parcela de US$ 1,26 bilhões, recusada na quarta-feira. As reservas internacionais e os depósitos bancários estão em níveis críticos e continuam caindo. Está cada vez mais difícil manter o regime de conversibilidade já semi-falido, dadas as inúmeras restrições impostas. O ministro deve tentar oferecer mais do mesmo - déficit zero no ano que vem e bons resultados na negociação de troca de títulos da dívida. Mas o Fundo não parece estar muito sensível a qualquer novo pacote que ignore uma reforma no sistema cambial. No atual nível das reservas, uma dolarização total da economia seria muito difícil, então restariam a desvalorização do peso ou uma combinação de desvalorização e dolarização. Todas essas opções são muito impopulares e trariam enormes perdas para empresas, consumidores e governo, que estão pesadamente endividados na moeda norte-americana. Mas analistas consideram a reforma inevitável. Hoje também encerra-se a operação de troca de títulos da dívida em poder de credores internos por papéis com juros mais baixos e prazos mais longos, incluindo carência de três anos. Na sexta-feira passada, o resultado preliminar apontava para um total de US$ 50 bilhões trocados, para uma dívida total em torno de US$ 132 bilhões. Ainda restam aproximadamente US$ 20 bilhões de credores internacionais, o que deve ser concluído em algumas semanas. Mas nem a economia com juros à custa de perdas para os investidores não parecem capazes de salvar a Argentina do colapso financeiro. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

07 Dezembro 2001 | 07h44

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